EUA instam G20 a cooperar face ao "momento crítico" que o mundo atravessa

EUA instam G20 a cooperar face ao "momento crítico" que o mundo atravessa

O secretário de Estado norte-americano instou hoje os países do G20 a cooperarem para enfrentar o que descreveu como um "momento crítico" para o mundo.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Megan Varner - Reuters

"Encontramo-nos num momento crítico não só para o meu país, os Estados Unidos, mas, francamente, para o mundo inteiro. Enfrentamos uma série de crises económicas e geopolíticas interligadas, muitas das quais representam graves ameaças aos fundamentos essenciais da ordem económica mundial", disse Marco Rubio no início da reunião de chefes de diplomacia das principais economias industrializadas e emergentes do mundo (G20), em Atlanta, no estado norte-americano da Geórgia.

Entre os presentes conta-se também o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, que participa a convite dos Estados Unidos.

Rubio destacou especialmente a importância da liberdade de navegação, numa referência ao bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão em resposta à ofensiva israelo-americana, e ao abastecimento alimentar global.

Neste contexto, sublinhou que o G20 "deve trabalhar em conjunto para fazer face a estas ameaças", reforçar a resiliência económica e proteger os mercados.

"Como diplomatas e líderes políticos, temos um papel fundamental a desempenhar. Temos o mandato, em nome dos países que representamos, de trabalhar em conjunto para coordenar respostas às crises emergentes e proteger os nossos interesses comuns", defendeu.

A reunião ministerial do G20, com duração de dois dias, começou hoje em Atlanta sem a tradicional foto de grupo, devido à recusa dos representantes europeus em aparecer ao lado de Lavrov devido à guerra na Ucrânia, um país que não faz parte do G20 e que não foi convidado.

Para o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, apesar de ser importante todos debaterem à mesa, os europeus e aliados da Ucrânia não devem enviar "sinais visuais enganadores".

"Não há regresso ao normal com a Rússia. É aqui, à volta desta mesa, que devemos debater as nossas divergências de opinião, e é por isso que este debate é importante. Mas não devemos enviar sinais visuais enganadores", afirmou Johann Wadephul à imprensa alemã antes da reunião.

Acrescentou ainda que tencionava apelar "mais uma vez à Rússia para que aceite finalmente uma proposta de cessar-fogo da Ucrânia, começando pelo mar Negro", que tem sido palco de ataques contra navios comerciais.

O encontro em Atlanta deve servir para preparar a cimeira de líderes do G20 que o Presidente norte-americano, Donald Trump, irá acolher em dezembro no seu clube de golfe nos arredores de Miami.

O Presidente russo, Vladimir Putin, foi convidado para se deslocar a Miami, mas ainda não confirmou se estará presente.

As discussões desta cimeira, segundo Rubio, incidirão sobre os desafios relacionados com a energia e a cadeia de abastecimento, bem como sobre a liberdade de navegação que se encontra comprometida, nomeadamente no estreito de Ormuz.

A reunião ocorre num momento em que se multiplicam os sinais de uma nova escalada no Médio Oriente.

Segundo o Wall Street Journal, os Estados Unidos pediram a vários países do Golfo que se preparassem para uma campanha curta e intensa após as eleições intercalares norte-americanas previstas para 03 de novembro.

"Talvez façamos outra pequena `Fúria Épica`", afirmou o Presidente norte-americano na semana passada, em referência ao nome da ofensiva militar dos Estados Unidos no Irão, que teve início a 28 de fevereiro.

A Casa Branca também reativou os esforços para tentar pôr fim à guerra na Ucrânia.

Trump enviou, na semana passada, o seu enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, para se reunir com os presidentes russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodymyr Zelensky.

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