Eurocidade Chaves-Verín quer políticas específicas para regiões de fronteira
A Eurocidade Chaves-Verín quer que as cimeiras luso-espanholas definam "políticas específicas" para as regiões de fronteira e defende naquela região uma requalificação ambiental do rio Tâmega, um reforço na energia elétrica e investimento industrial, destacou hoje o presidente.
"A minha expetativa é que a cimeira [que se realiza no sábado, na Guarda] possa consolidar, mas também ter uma visão mais pragmática e utilitarista com políticas específicas. Lanço um desafio para que efetivamente esta cimeira não fique apenas registada em ata, mas que os cidadãos de fronteira sintam que há uma nova abordagem", realçou o presidente da Eurocidade Chaves-Verín, Nuno Vaz.
Em declarações à Lusa antes da 31.ª Cimeira Luso-Espanhola, o também presidente da Câmara de Chaves, no distrito de Vila Real, explicou que, se as cimeiras "não tiverem um efeito pratico no território e os primeiros cidadãos a sentirem essas medidas não forem os de fronteira, então limitar-se-ão a questões administrativas e não terão apetência para alterar a vida das pessoas, empresas e instituições".
Para a região que envolve Chaves e Verín, na Galiza, Espanha, Nuno Vaz apontou como "importante" um "grande projeto para realizar uma requalificação ambiental do rio Tâmega".
"É um rio internacional, que nasce na província de Ourense e desagua no Douro, e teríamos a capacidade de fazer um grande projeto ambiental, com dimensão ecológica, mas também de sustentação de atividades que são feitas no rio, como agricultura, turismo, lazer, desporto ou pesca. É projeto absolutamente estruturante e fundamental", defendeu.
O autarca abordou ainda a necessidade de haver um reforço de energia elétrica nas zonas de fronteiras, uma questão é "absolutamente crítica para a fixação de empresas".
"Também era importante a melhoria dos canais e da capacidade e velocidade dos dados na redes. Precisamos rapidamente de fazer do lado de Portugal o que se já se faz em Espanha. A rede 5G é absolutamente crítica e essencial", sublinhou.
O responsável apelou ainda a "um investimento na industrialização", concretamente de pequenas e medias industrias.
Nuno Vaz revelou que, no âmbito da Cimeira Luso-Espanhola, a Eurocidade Chaves-Verín apresentou estas propostas, que considera poderem "mudar os territórios" pois têm "capacidade de atrair e fixar pessoas".
Para o autarca, é necessário "aproveitar as perspetivas financeiras do novo quadro financeiro europeu para 2020-2027, mas também deste esforço financeiro que está em fase de conclusão nas instâncias europeias".
De acordo com Nuno Vaz, regra geral, as faixas de fronteira entre os dois países são, ao contrário de outros países europeus, locais menos populosas e onde há problemas críticos de demografia.
"Quer nas dinâmicas económicas dentro dos países, quer nas relações económicas entre os dois países, têm vindo a ser difícil o incremento significativo", apontou.
Para Nuno Vaz, é necessária "uma nova abordagem" e uma "política nova de âmbito transfronteiriço" com "um pacote e programa particularmente destinado a politicas de fronteira".