Eurodeputados portugueses pedem resposta da UE ao custo de vida mas divergem sobre medidas
Os eurodeputados portugueses pedem uma intervenção da União Europeia para travar o aumento do custo de vida, mas divergem entre apoios seletivos (PSD, CDS e IL), controlo de preços (Chega, PCP e BE) e respostas na habitação (PS).
Em declarações à Lusa, o eurodeputado do PSD Paulo Cunha defendeu que, apesar de o Governo e a Comissão Europeia não poderem resolver sozinhos o aumento do preço dos combustíveis -- que, na sua origem, foi provocado pela guerra no Irão --, podem ajudar a mitigar a situação, desde logo através de "medidas setoriais, para estratos sociais mais desfavorecidos e para setores económicos mais expostos", como as que têm sido tomadas pelo executivo português.
"É por aí que o caminho deve ser percorrido, porque essa é a forma que consideramos mais justa de resolver o problema", defendeu.
A posição coincide com a defendida pela eurodeputada do CDS Ana Miguel Pedro, que considerou necessário dar "um apoio mais dirigido às famílias, agricultores e empresas" mais expostas, apesar de salientar que se deve igualmente reforçar as interligações energéticas na UE.
"Enquanto dependermos de energia que não controlamos, vamos estar sempre dependentes de outros", avisou.
O eurodeputado da IL João Cotrim Figueiredo também aponta no mesmo sentido que PSD e CDS: o que se impõe no imediato é uma "resposta obrigatoriamente temporária", unicamente dirigida "àqueles que efetivamente precisam", apesar de serem necessárias medidas estruturais que não vão dar resposta no curto prazo.
"A UE pode ajudar [nos apoios], isentando algumas destas medidas de eventuais acréscimos de despesas de alguns critérios europeus, temporariamente também", disse, manifestando-se contra medidas como a fixação de preços, que beneficiariam toda a gente.
Em sentido oposto, o eurodeputado do Chega António Tânger Correia considera que a "única coisa" que a UE pode fazer para responder ao aumento do custo de vida é precisamente "a fixação do preço" dos combustíveis, acrescentando que isso precisa de "ser feito já".
"Temos de ter conversações quer com os países produtores, quer com os países distribuidores, porque, se se alterar o preço dos combustíveis, imediatamente se altera o custo de vida, porque o preço dos combustíveis repercute-se em toda a linha económica dos países", defendeu.
A eurodeputada do PS Carla Tavares defendeu que a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho da UE devem fazer "tudo o que estiver ao seu alcance" para ajudar os países a responder a esta situação, insistindo em particular no peso que as despesas associadas à habitação têm para os cidadãos europeus e, em particular, portugueses.
"É importante que se comece a refletir qual é a forma de termos uma `task force` tripartida entre a UE, os governos nacionais e os governos locais e regionais para ser possível ultrapassarmos este flagelo da habitação", afirmou.
Já a eurodeputada do BE Catarina Martins salientou que "boa parte" da resposta ao custo de vida deve ser feita a nível nacional -- através de medidas na habitação ou na fixação de preços da eletricidade, à semelhança do que a Polónia ou a Espanha já fizeram --, mas admitiu que a Comissão Europeia pode reforçar as interligações energéticas com a Península Ibérica ou "propor alterações no mercado da energia" para rever o método de fixação do preço da eletricidade.
"Quando a energia elétrica entra no nosso sistema, nós pagamos sempre ao preço da energia mais cara, ainda que Portugal produza muita energia renovável por preços muito mais baixos. Isto não tem nenhum sentido, este sistema de mercado também tem de ser resolvido", considerou.
João Oliveira, do PCP, também defendeu que a UE deve intervir para garantir que se altera o "mecanismo de fixação de preços", mas igualmente dar "cobertura política" aos Estados-membros para que possam avançar com "medidas a nível nacional de controlo e fixação de preços".
Estas medidas, acrescentou, devem ser acompanhadas de "políticas de aumento de salários e pensões", que permitam aumentar o poder de compra, e de incentivos à disponibilização de mais casas para baixar os preços do mercado habitacional.