Eurogrupo atira para "março ou abril" discussão do pós-resgate em Portugal

A escolha do modo como Portugal vai sair do resgate financeiro, com recurso a um programa dito cautelar ou sem qualquer suporte, como a República da Irlanda, só deverá ter lugar “em março ou abril”, anteviu esta segunda-feira o presidente do Eurogrupo. À entrada para a primeira reunião de 2014 dos ministros das Finanças da Zona Euro, em Bruxelas, Jeroen Dijsselbloem vincou que quer “ver todos os números” antes de selar “uma decisão” com o Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas.

RTP /
Jeroen Dijsselbloem considera ser cedo para determinar se Portugal deve escolher uma “saída limpa” do resgate financeiro, à semelhança da Irlanda Olivier Hoslet, EPA

Portugal é o prato principal na ementa colocada esta segunda-feira sobre a mesa do Eurogrupo, naquela que é a primeira reunião de 2014 dos ministros das Finanças dos países da moeda única. Mas não haverá qualquer discussão – pelo menos oficialmente – do desfecho do Programa de Assistência Económica e Financeira do país.
À reunião do Eurogrupo seguir-se-á na terça-feira o encontro do Ecofin, que junta os ministros das Finanças dos 28 Estados-membros da União Europeia.

A exclusão do pós-troika da agenda ministerial havia sido dada como certa no final da semana passada por fonte anónima do Eurogrupo, citada pela agência Lusa. Foi agora confirmada de viva voz por Jeroen Dijsselbloem.

“Os portugueses fizeram um progresso muito bom no programa, o que indica estar muito bem. Tomaremos essa decisão mais tarde, em março ou abril. Tomaremos em conta, também, os últimos desenvolvimentos, como o acesso aos mercados e o progresso feito em Portugal. Então decidiremos. É claro que a posição que o próprio Governo português tomar é muito importante”, afirmou o presidente do Eurogrupo, ouvido em Bruxelas pelo correspondente da Antena 1 Luís Ochoa.
“Todos os números”

Ao chegar à reunião dos ministros das Finanças da Zona Euro, Dijsselbloem quis também deixar claro que será preciso “ver todos os números” antes de escolher uma fórmula posterior ao resgate suportado pelo triunvirato do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia.

“Vai haver uma nova revisão, a 11ª revisão, antes de termos de tomar uma decisão. Por isso, vamos utilizar o tempo que temos, trabalhar de forma estreita com o Governo português, para podermos chegar a uma conclusão conjunta”, acentuou o sucessor de Jean-Claude Jüncker à frente do Eurogrupo, citado pela agência Lusa.

Um alto responsável do Eurogrupo havia já indicado à mesma agência noticiosa que a primeira reunião ministerial deste ano deixaria de fora a discussão da estratégia de retorno de Portugal aos mercados.


Foto: José Sena Goulão, Lusa

Embora apontando um “sentimento de mercado relativamente a Portugal” de contornos “muito positivos”, a mesma fonte adiantava, na passada sexta-feira, que haveria apenas uma exposição da ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre as medidas de resposta à declaração de inconstitucionalidade da convergência de pensões, a par da análise das conclusões da última avaliação regular do Programa de Assistência Económica e Financeira, terminada em dezembro.
Tópicos
PUB