Europeus podem suplantar chineses nos investimentos em África com mais apoios financeiros
Lisboa, 06 Dez (Lusa) - Os empresários europeus podem suplantar os chineses nos investimentos em África, se "conseguirem juntar apoios de natureza financeira" à "facilidade de articulação cultural" já existente, defendeu hoje, em declarações à agência Lusa, o administrador-executivo da AIP.
António Alfaiate falou à Lusa a propósito da Cimeira Empresarial UE/África que a AIP organiza conjuntamente com a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e com a confederação europeia de empresas, BusinessEurope, em Lisboa, a partir de sexta-feira, antecedendo a cimeira política UE/África.
As organizações querem demonstrar aos "africanos que os empresários europeus também estão interessados em participar no desenvolvimento de África", contrariando a "ideia instalada nalgumas esferas africanas" e que abriu o caminho aos investimentos chineses, brasileiros e americanos, afirmou Alfaiate.
O gestor deu como exemplo o caso chinês, cujo investimento se tem fortalecido um pouco por todo o continente, incluindo nalguns Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), porque dispõe de um "ponto forte": a "possibilidade de concessão de linhas de crédito muito interessantes para os africanos".
Por isso, defende uma "maior expressão" para as linhas de financiamento, tanto da parte dos governos, como da banca comercial.
No caso português, António Alfaiate reconhece o "esforço do Governo", que tem lançado algumas linhas de crédito para apoio à exportação para os PALOP, por exemplo, e da banca comercial portuguesa que tem já "uma presença significativa em África, mesmo fora dos PALOP".
No entanto, "ainda não estamos em igualdade de circunstâncias", sublinhou. "Mas se pudermos ter algum apoio de natureza financeira, temos condições para concorrer com grande vantagem", acrescentou.
É que os europeus, "por razões históricas, passaram por África, compreendem e conhecem África, com a qual têm facilidade de interlocução", ao contrário do que acontece com os investidores chineses.
E são estes alguns dos argumentos que os empresários europeus querem apresentar aos congéneres africanos nesta cimeira, onde também estarão presentes alguns decisores políticos.
"Temos a noção de que a pujança do sector privado em África é ainda muito ténue e que o conceito de empresário no continente tem as suas singularidades", pelo que "fizémos questão de envolver decisores políticos africanos, em articulação com os empresários dos respectivos países", disse António Alfaiate à agência Lusa.
A cimeira empresarial, a última durante a presidência portuguesa da UE, deverá ser uma das mais participadas, com o limite de 500 inscrições já completo e quase equitativamente dividido entre africanos, de 29 países diferentes, e europeus, de 20 países.
Os organizadores pretendem que esta seja "o ponto de partida para a criação de uma nova dinâmica nas relações com o continente africano, promovendo a integração efectiva dos países de África na economia global".
TD.
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