Eventual reforço de medidas de contenção de custos na Impresa "depende da evolução do mercado" - Francisco Balsemão

Lisboa, 14 mar (Lusa) - O presidente da Impresa, Francisco Pinto Balsemão, afirmou hoje que um eventual reforço de medidas de contenção de custos no grupo "depende da evolução do mercado".

Lusa /

Francisco Pinto Balsemão falava aos jornalistas no final da apresentação dos resultados do grupo que detém a SIC, Expresso e Visão, entre outros títulos.

Questionado sobre se serão necessárias mais medidas de contenção de custos este ano, para fazer face à crise, Balsemão disse que isso "depende da evolução do mercado".

Para o presidente do grupo, este ano ainda se estima "uma quebra relativamente grande" na publicidade, mas mostrou-se esperançado de que eventos como o Rock In Rio ou o Europeu de futebol ainda venham a animar o mercado.

Sobre o desempenho do grupo no primeiro trimestre, Francisco Pinto Balsemão disse que "está de acordo com o orçamento".

Na sua intervenção na conferência de apresentação de resultados anuais da empresa, Francisco Pinto Balsemão classificou 2011 como "um ano extremamente difícil, sobretudo a partir da segunda metade do ano".

Por isso, "adaptamos a nossa atividade a esta nova realidade, tomámos mais medidas de controlo dos custos", disse.

"Apesar da quebra das receitas, dos custos com reestruturação", afirmou, a Impresa "conseguiu reduzir o seu passivo no ano em análise".

A dívida líquida, em termos médios, reduziu-se 5 milhões de euros em 2011, em relação a 2010.

As receitas consolidadas da Impresa recuaram 7,9 por cento em 2011, face a 2010, para 249,8 milhões de euros, influenciadas pelas receitas de publicidade, que no ano passado caíram 11,2 por cento, para 133,6 milhões de euros.

Já a faturação de subscrições de canais subiu 2,4 por cento, para 43,1 milhões de euros. As receitas de publicações caíram 7,7 por cento, para 34,5 milhões de euros, o multimédia recuou 8,5 por cento, para 17,9 milhões de euros, enquanto as relativas a produtos associados registaram uma quebra de 32 por cento, para 4,9 milhões de euros, "afetadas pela retração do consumo privado" no ano passado.

As receitas de televisão desceram 5,1 por cento, para 164,1 milhões de euros no ano passado, enquanto as de publishing recuaram 14,4 por cento, para 81,5 milhões de euros

O resultado líquido, excluindo as perdas de imparidades, menos-valias e custos de reestruturação, caiu 88,5 por cento, para 1,3 milhões de euros, sendo que para Francisco Balsemão este é o "valor verdadeiro" que reflete o desempenho do grupo em 2011.

Incluindo as perdas por imparidades, no valor de 33,3 milhões de euros, a Impresa registou prejuízos de 35,1 milhões de euros.

Os custos operacionais, sem imparidades, desceram 4,2 por cento, para 227,5 milhões de euros. "Esta descida foi provocada tanto pelos custos variáveis, que caíram 6,8 por cento, em consequência da redução da atividade, como pelos custos fixos, que desceram 1,5 por cento, refletindo os esforços de contenção e de reorganização realizados nos últimos anos", refere a empresa em comunicado.

Os custos com reestruturação foram de 2,6 milhões de euros no ano passado, mais 31,8 por cento face a 2010.

Após a reestruturação, a Impresa terminou 2011 com um total de 1.297 trabalhadores.

No final do ano, o grupo vendeu o portal AEIOU, tendo registado uma menos-valia que teve um impacto de 1,15 milhões de euros nos custos operacionais.

Os custos com a programação desceram 5,9 por cento e os relativos ao pessoal recuaram 1,7 por cento - nomeadamente com a redução do quadro do pessoal e com a redução voluntária de 10 por cento dos salários dos membros do conselho de administração e dos principais quadros da Impresa.

Os custos com papel desceram 1,1 por cento, os de marketing baixaram 14,1 por cento e os que se relacionam com produtos associados e multimédia reduziram-se em 25,9 por cento.

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