Evolução do mercado de trabalho e das tecnologias leva ao desaparecimento de muitas profissões

A lavadeira manual, o posticeiro, o dactilógrafo ou a governanta de casas particulares são algumas das profissões dadas como extintas e que já não constam no projecto de revisão da Classificação Nacional de Profissões (CNP) em curso e que deverá ser publicada em 2008.

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O desaparecimento destas e de outras profissões é explicado pelos especialistas com a evolução da sociedade, das tecnologias e do próprio mercado de trabalho .

Algumas ocupaçoes profissionais desapareceram, outras têm uma representação mínima no mercado de trabalho e já nem são consideradas como profissões e outras transformam-se, aglutinando-se com outras.

Profissões como a de posticeiro (pessoa que faz postiços), lavadeira manual, dactilógrafo, governante de casas particulares, charuteiro manual ou lavador de peles já não constam da "nova" CNP, cuja revisão está em curso.

Em entrevista à agência Lusa, Ana Campos, técnica superior do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP), que está ligada ao projecto de revisão da CNP, falou sobre as dificuldades sentidas pelos técnicos para descobrir profissões extintas ou em vias de extinção e em encontrar novas no mercado de trabalho.

Para as encontrar, os técnicos analisam o mercado, contactam empresas, sindicatos, associações, parceiros sociais, entre outras entidades.

"No projecto de revisão da CNP em curso as profissões consideradas extintas ou em vias de extinção são aquelas que existiam na classificação de 1994 e que entretanto deixaram de existir no mercado de trabalho", explicou Ana Campos.

Mas, salientou a técnica, a questão é mais complexa porque em algumas situações verificamos que as profissões acabaram mas outras apenas se transformaram no sentido de se aglutinarem com outras.

"Estou a recordar-me da profissão de dactilógrafo, que entre outras coisas escrevia cartas. Esta profissão alterou-se e agora é designada por assistente administrativo", referiu.

Outra profissão que deixou de existir no mercado é a de posticeiro, profissional que confecciona e penteia perucas e postiços de diferentes tipos em cabelo ou fibras sintéticas.

"Neste momento não existe nenhum porque o trabalho passou a ser feito em fábricas", disse Ana Campos, acrescentando que esta profissão está definida na CNP de 1994, mas não vai constar na "nova".

Também a lavadeira manual, pessoa que lavava à mão e secava peças de vestuário e outros artigos de tecido, desapareceu do mercado de trabalho.

"Acredito que há pessoas que ainda façam esse tipo de trabalho mas não fazem disso profissão", disse.

Segundo a técnica do IEFP, por vezes as profissões não existem por uma questão de designação ou conteúdo.

Outras, refere a responsável até podem existir mas se tiverem uma representação mínima no mercado vão acabar por se extinguir ou nem são consideradas como profissão.

No que diz respeito às "novas" profissões, Ana Campos, considera que ainda são mais difíceis de encontrar.

De acordo com a técnica, as profissões podem não ser efectivamente novas no mercado de trabalho, sendo que algumas são consideradas assim porque não existiam na CNP de 1994 ou porque foram reestruturadas.

Por isso, indicou Ana Campos, é difícil identificar se uma profissão surgiu por exemplo no ano passado.

"As pessoas começam por desempenhar determinadas tarefas e o mercado evolui, algumas vêm a ser profissões outras não", disse.

"Quando olhamos e analisamos o mercado, as profissões, as tarefas das pessoas é que vamos tentando delinear o que é são novas profissões e estas não aparecem de um dia para o outro", disse.

Na opinião da técnica, as profissões aparecem no mercado sem terem um papel que as defina, elas têm de ser encontradas.

"Há profissões que estão regulamentadas e essas sim têm de aparecer legisladas mas há muitas que surgem porque há uma nova necessidade da sociedade e começam a emergir", frisou.

As "novas" profissões que surgem no projecto de revisão da CNP são mais viradas para as licenciaturas, especializações, ou das áreas gráficas, onde houve grande evolução.

"Uma coisa é ser nova como tarefa que não existia e que houve necessidade do mercado que elas aparecessem e outra é o conceito de novo que se transformou e portanto, aglutinou", explicou.

Para Ana Campos, é muito difícil conseguir abarcar tudo, pois são muitas profissões e o mercado de trabalho evolui muito rapidamente.

O agente de condução de metros ligeiros de superfície, o ajudante de Lar e Centro de Dia, o osteopata, os técnicos de Internet (por exemplo web designer) são algumas das profissões que já existem há muito tempo mas que não constavam da CNP de 1994.

Surgem também profissões ligadas às engenharias [do Ambiente, aeronáutico/aeroespacial], dietistas, preparador físico, técnicos de radioterapia, de análises clínicas e higienista oral, entre outras.


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