Ex-deputado Ricardo Gonçalves critica "plebiscito ao Governo"

O ex-deputado Ricardo Gonçalves lamentou hoje que o 29.º Congresso do PS "se esteja a transformar" num plebiscito ao Governo e aconselhou o secretário-geral, Pedro Nuno Santos, a não ficar à sombra do atual executivo.

Lusa /

"Queria lamentar profundamente que este congresso se esteja a transformar num plebiscito ao Governo cessante. E tenho medo que o PS faça uma campanha eleitoral essencialmente a publicitar o Governo", declarou.

Numa intervenção inflamada no 29.º Congresso do PS, em Lisboa, Ricardo Gonçalves ressalvou que "não é que o Governo fizesse tudo mal" porque "fez algumas coisas bem feitas" mas, advertiu, "só este Governo não chega para ganhar as eleições e muito menos para formar governo" depois das eleições de 10 de março.

O antigo deputado, que discursou logo a seguir ao ministro da Saúde, Manuel Pizarro, identificou as áreas em que, no seu entender, se mantém os problemas, da saúde à educação, justiça e a habitação que, disse, "continua com uma carga de impostos brutal".

"Não se pode dizer que a saúde está boa. O Pizarro é um grande ministro mas as televisões abrem com meia hora de problemas nas urgências. É preciso resolver isto", disse, sugerindo que, apesar dos "pergaminhos do PS" na saúde, tem de saber fazer mais, através de outro tipo de gestão, incluindo privados e gestão cooperativa.

Também "não se pode dizer que o MP [Ministério Público] está bom quando os processos acabam todos em mega processos e nada funciona".

Para o militante, Pedro Nuno Santos "é capaz de apresentar soluções para isto" e terá de apresentar no domingo, no último dia do Congresso, "novidades". Porque, insistiu, se se "põe à sombra do Governo não consegue fazer governo".

Segundo Ricardo Gonçalves, "quem fez subir o Chega foi o governo ao não resolver os problemas das pessoas" e, para impedir que o Chega vá para o Governo, o PS tem de saber resolver os problemas dos cidadãos.

 

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