Execução Orçamental. Estado passa de excedente a défice de quase 1,8 mil milhões de euros
O Estado registou um défice de 1.762 milhões de euros até maio, com uma redução de 2.400,2 milhões de euros face ao período homólogo.
É um retrocesso nas contas do Estado: Portugal passou de um excedente a um défice de quase 1,8 mil milihões de euros até maio.
"O saldo global das Administrações Públicas (AP) apresentou, até maio 2026, um défice de 1761,9 milhões de euros, o que traduz um decréscimo de 2400,2 milhões de euros face ao período homólogo, justificado por um incremento da despesa (9,7 por cento) superior ao da
receita (4,4 por cento)", lê-se no documento.
Os dados da execução foram divulgados pela Entidade Orçamental, que revela que este saldo negativo face ao início do ano deve-se sobretudo ao pagamento das dívidas aos fornecedores do Serviço Nacional de Saúde.
"Este resultado encontra-se influenciado por pagamentos no valor de 1170 milhões de euros, realizados até o mês de maio pelas entidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na sequência dos reforços de capital concedidos para regularização de dívidas".
"Face ao período homólogo, o saldo das Administrações Públicas reduziu 2.400,2 milhões de euros, resultado da diminuição dos saldos da Administração Central (-3.344,1 milhões de euros; -2.174,2 milhões de euros, sem o efeito dos pagamentos para regularização de dívidas do SNS) e da Administração Regional (-62,3 milhões de euros)", acrescenta a síntese divulgada pela Entidade Orçamental, esta terça-feira.
De acordo com o documento, o saldo total está agora em - 1.762 milhões de euros.
Já no sentido inverso pesou o Saldo da Segurança Social, que teve uma evolução positiva de 761,5 milhões de euros, e o saldo da Administração Local, que cresceu 244,7 milhões de euros.
O saldo global e primário da Administração Central e da Segurança Social ficaram em, respetivamente, - 2.384,7 milhões de euros e 439,8 milhões de euros, tendo-se verificado descidas de 2.582,7 milhões de euros e 2.559,6 milhões de euros face a 2025.
A evolução registada no saldo global deveu-se ao crescimento da despesa em, excluindo o efeito dos pagamentos do SNS até maio, 6,8 por cento ter sido superior ao aumento de 3,5% na receita.
Por sua vez, o saldo global das Administrações Regional e Local (ARL) atingiu 622,8 milhões de euros, mais 182,5 do que no período homólogo.
Já na Administração Regional, o saldo foi de -95 milhões de euros, uma queda de 62,3 milhões de euros.
Na Administração Local, por sua vez, o saldo ficou em 717,8 milhões de euros, mais 244,7 milhões de euros do que o registado em 2025.
Até maio, a despesa das Administrações públicas agravou-se em 9,7 por cento, face ao período homólogo, enquanto a despesa primária avançou 10,3 por cento.
C/Lusa