Exportações do setor metalúrgico sobem 3% para novo recorde de 24.169 ME em 2025

Exportações do setor metalúrgico sobem 3% para novo recorde de 24.169 ME em 2025

As exportações portuguesas de metalurgia e metalomecânica atingiram em 2025 um novo recorde de 24.169 milhões de euros, acelerando a taxa de crescimento anual de 2,2% em 2024 para 3% no ano passado, segundo a associação setorial.

Lusa /

Num comunicado divulgado hoje, a Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) exige, contudo, uma "ação urgente do Governo e da Comissão Europeia" face à "pressão crescente sobre a competitividade europeia e nacional".

Salientando que as exportações do Metal Portugal representam 33% de toda a indústria transformadora portuguesa, a associação adverte que os números obtidos "não se repetirão tão cedo caso a Comissão Europeia não reverta o caminho das medidas que tem vindo a adotar".

"A economia global continua a enfrentar choques macroeconómicos com consequências imprevisíveis. Estamos a assistir a uma mudança estrutural: de um paradigma de globalização para um de protecionismo", alerta o vice-presidente executivo da AIMMAP, Rafael Campos Pereira, citado no comunicado.

Para o dirigente associativo, "a Europa tem falhado no equilíbrio das suas políticas económicas, deixando desprotegida uma indústria que compete com países que muitas vezes aplicam medidas protecionistas amplas".

Como resultado, "a indústria metalúrgica e metalomecânica, fruto de medidas europeias desajustadas, está hoje sujeita a um ambiente concorrencial altamente desequilibrado".

Segundo o dirigente da AIMMAP, o novo enquadramento europeu para as tarifas sobre a importação de aço, bem como regulamentos como o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM), estão "a penalizar fortemente a competitividade e a situação concorrencial da indústria transformadora" e, "no curto/médio prazo, vão conduzir a Europa para um processo de desindustrialização".

Neste contexto, a associação reitera que o Governo português "deve defender e apoiar a posição da sua indústria transformadora" para "proteger o setor mais exportador do país" e "o verdadeiro motor do crescimento económico nacional".

"Portugal não pode continuar a ser um mero espectador enquanto medidas europeias penalizam severamente a indústria transformadora, nomeadamente através das tarifas sobre a importação de aço, que criam assimetrias graves em relação a outros competidores globais", argumenta, reclamando uma "ação firme e imediata do Governo".

Concretamente, o Metal Portugal reclama que o executivo português tome medidas para mitigar os efeitos das tarifas europeias sobre o aço, garantir condições de competitividade iguais às dos concorrentes internacionais e assegurar estabilidade às empresas que "sustentam milhares de empregos diretos e indiretos".

Neste enquadramento, a associação aplaude os acordos assinados entre a União Europeia (UE) e o Mercosul e entre a UE e a Índia, salientando que "Portugal deve saber aproveitar as oportunidades que vão, seguramente, surgir".

"Não tenho dúvida de que destes acordos resultará um crescimento do comércio com os dois blocos. Se a Comissão Europeia e o Governo estiverem atentos e alinhados com o acima exposto, estes acordos comerciais são uma oportunidade de ouro para recentrar a economia europeia no mapa geoestratégico mundial", afirma Rafael Campos Pereira.

Segundo os dados da AIMMAP, só no mês de dezembro o setor exportou 1.792 milhões de euros, um crescimento homólogo de 3,5% "apesar das perturbações significativas registadas naquele mês causadas pela crise nas alfândegas devido à implementação deficiente do novo sistema informático".

A associação destaca que 2025 registou quatro dos melhores resultados mensais de sempre, sendo que 75% das exportações setoriais nacionais seguiram para países da União Europeia e 25% destinaram-se a mercados extracomunitários.

Os principais parceiros comerciais continuaram a ser Espanha, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e EUA, tendo-se os dois primeiros países destacado com o maior crescimento absoluto no ano passado.

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