Exportações lusófonas para a China caem 4% até novembro
As exportações dos países de língua portuguesa para a China caíram 4% nos primeiros 11 meses de 2025, em comparação com igual período do ano passado, de acordo com dados oficiais.
De acordo com informação dos Serviços de Alfândega da China, entre janeiro e novembro o bloco lusófono vendeu mercadorias no valor de 80,5 mil milhões de dólares (68,8 mil milhões de euros) para o mercado chinês.
Segundo os dados, reunidos pelo Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) e divulgados na terça-feira, este é o valor mais baixo para os primeiros 11 meses de um ano desde 2020, no início da pandemia de covid-19.
A descida deveu-se, sobretudo, ao Brasil - de longe o maior fornecedor lusófono do mercado chinês - cujas vendas caíram 2,7% para 105,4 mil milhões de dólares (90,1 mil milhões de euros).
Além disso, também o segundo maior parceiro comercial chinês no bloco lusófono, Angola, viu as exportações decrescerem 10,8%, para 14,4 mil milhões de dólares (12,4 mil milhões de euros).
As vendas de mercadorias de Portugal para a China diminuíram 7,7% para 2,66 mil milhões de dólares (2,27 mil milhões de euros).
Seis dos nove países de língua portuguesa viram cair as respetivas exportações para o mercado chinês.
As vendas de Moçambique para o mercado chinês desceram 8,7%, para 1,48 mil milhões de dólares (1,26 mil milhões de euros), enquanto as exportações da Guiné Equatorial desceram 27%, para 710,2 milhões de dólares (607,1 milhões de euros).
As remessas de Cabo Verde com destino à China diminuíram 38,9%, embora o país tenha vendido apenas cerca de oito mil dólares (cerca de 6.800 euros) em mercadorias.
A maior exceção foi Timor-Leste cujas vendas dispararam, de apenas 636 mil dólares (545 euros) nos primeiros 11 meses de 2024 para 27 milhões de dólares (23,1 milhões de euros) no mesmo período do ano passado.
As exportações de São Tomé e Príncipe mais que triplicaram, atingindo 54 mil dólares (46 mil euros), enquanto as vendas da Guiné-Bissau passaram de mil dólares (855 euros) para oito mil dólares.
Na direção oposta, as exportações chinesas para os países de língua portuguesa tiveram o melhor arranque de ano de sempre, aumentando 2,2%, para 80,5 mil milhões de dólares (68,8 mil milhões de euros).
Este é o valor mais elevado para os primeiros 11 meses de um ano desde que o Fórum de Macau começou a apresentar estes dados, em 2013.
Os dados revelam que o Brasil continua a ser o maior comprador no bloco lusófono, apesar das importações vindas da China terem caído 1,6% em comparação com o mesmo período de 2024, para 65,4 mil milhões de dólares (55,9 mil milhões de euros).
Pelo contrário, o segundo na lista, Portugal, comprou à China mercadorias no valor de 6,59 mil milhões de dólares (5,64 mil milhões de euros) entre janeiro e novembro, um aumento de 19%.
Apesar de vender mais e comprar menos, a China continua a registar um défice comercial com o bloco lusófono, que atingiu 44,3 mil milhões de dólares (37,8 mil milhões de euros) nos primeiros 11 meses de 2025.
Ao todo, as trocas comerciais entre os países de língua portuguesa e a China atingiram 205,2 mil milhões de dólares (175,4 mil milhões de euros), menos 1,7% do que no mesmo período do ano passado.