ExxonMobil já escolheu empreiteiro para megaprojeto de gás em Moçambique
A ExxonMobil anunciou hoje a escolha do consórcio responsável pelas obras principais do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) Rovuma LNG, em Moçambique, etapa decisiva antes da decisão final de investimento (FID), prevendo arrancar a produção em 2031.
Num comunicado divulgado hoje, a ExxonMobil Moçambique, em representação dos parceiros da Área 4, anuncia o envio de uma carta de intenções ao consórcio SMDC, formado pelas empresas Saipem, McDermott Energy Solutions, Daewoo Engineering & Construction e China Petroleum Engineering & Construction Corporation, para a prestação de serviços de engenharia, aquisições e construção (EPC) da primeira fase do desenvolvimento intermédio do projeto.
Segundo a petrolífera norte-americana, que lidera o megaprojeto, um dos maiores do género em África, a contratação do consórcio destina-se a apoiar as atividades de definição e planeamento do projeto à medida que os parceiros avançam para a FID, considerada a última grande autorização necessária para o arranque completo do investimento.
"A seleção do nosso empreiteiro EPC para as instalações em terra constitui um marco importante para o avanço do Projeto Rovuma LNG", afirmou Johanna Boothey, presidente do conselho de administração da ExxonMobil Moçambique, citado no comunicado.
O desenvolvimento em terra do projeto prevê a construção de 12 módulos de liquefação, com capacidade total de produção de 18,6 milhões de toneladas de GNL por ano, estando o arranque operacional projetado para 2031.
O projeto Rovuma LNG é liderado pela ExxonMobil, enquanto operadora delegada da Área 4, em parceria com a ENH, CNPC, ENI, KOGAS e XRG.
A escolha do empreiteiro representa um dos sinais mais claros de avanço do projeto desde que a petrolífera levantou, em novembro passado, a declaração de força maior que mantinha suspenso o desenvolvimento após os ataques insurgentes de 2021 em Cabo Delgado.
Em entrevista à Lusa em julho, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou esperar que a decisão final de investimento seja tomada até setembro, descrevendo o Rovuma LNG como "o maior projeto de investimento privado do continente africano", avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros).
"Estamos a dar bons passos com a Exxon", afirmou então o chefe de Estado, acrescentando que as autoridades moçambicanas trabalhavam para a assinatura da FID ainda este ano.
A petrolífera norte-americana prevê desenvolver algumas infraestruturas em articulação com o projeto vizinho da TotalEnergies, na Área 1, cuja construção foi retomada em janeiro, após quase cinco anos de suspensão devido aos ataques armados em Cabo Delgado.
Moçambique tem aprovados três grandes projetos de exploração das reservas de gás da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo.
Além do Rovuma LNG, com capacidade projetada de 18,6 milhões de toneladas por ano, a TotalEnergies prevê iniciar exportações de GNL da Área 1 em 2029, com capacidade de 13 milhões de toneladas anuais. Já a italiana Eni produz desde 2022 através da plataforma flutuante Coral Sul e prevê duplicar a produção a partir de 2028 com a unidade Coral Norte, estando em estudo uma terceira unidade.
Segundo a ExxonMobil, o projeto Rovuma LNG poderá gerar cerca de 150 mil milhões de dólares (131 mil milhões de euros) em receitas para o Estado moçambicano ao longo de 30 anos de operação. Um estudo do Standard Bank citado pela empresa estima ainda um impacto anual de cerca de 11 mil milhões de dólares (9,6 mil milhões de euros) no Produto Interno Bruto moçambicano e a criação de mais de 150 mil empregos.