"Fábrica da Bouça" de Felgueiras fecha por falta segurança
A "Fábrica da Bouça", em Felgueiras foi encerrada porque um relatório de segurança dos bombeiros "alertava para a necessidade de proteger os moradores da zona envolvente", disse à Lusa fonte da autarquia local.
Francelina Silveira, adjunta da Presidência, sustentou que a câmara se limitou a remeter para o Ministério da Economia, um relatório dos bombeiros voluntários locais - elaborado em Maio de 2006 - que apontava "dificuldades em combater ou minimizar qualquer tipo de ocorrência, dada a falta de condições de segurança da fábrica".
A empresa têxtil "Antero Teixeira da Cunha", mais conhecida como "Fábrica da Bouça", está desde quarta-feira sem energia eléctrica por ordem da Direcção Regional de Economia do Norte, na sequência da alegada falta de "condições mínimas indispensáveis à exploração industrial".
Ocorreu, na noite de 22 de Maio, um incêndio nas instalações fabris, o que levou os bombeiros a alertar a autarquia para a necessidade de proteger os habitantes das redondezas.
"Face à gravidade do alerta, a presidente da Câmara, Fátima Felgueiras, determinou a competente vistoria", acrescentou a fonte.
Adiantou que a vistoria foi efectuada, em 22 de Junho, por uma equipa composta por técnicos camarários, delegado de Saúde e bombeiros.
O respectivo auto, elaborado dias depois, apontava, segundo a fonte, para "a falta de condições de saúde e de segurança para os trabalhadores".
Esta conclusão obrigou a autarquia - após aprovação por unanimidade em reunião do Executivo - a remeter o auto para o Ministério da Economia, entidade que tutela este tipo de indústrias.
Depois - acrescenta - em 25 de Outubro de 2006, o ministério comunicou à Câmara de Felgueiras que determinou a interrupção do fornecimento de energia eléctrica à empresa em face da situação que foi detectada, em vistoria conjunta com a Comissão de Coordenação Regional do Norte, a Inspecção-geral do Trabalho e a Administração Regional do Norte.
A autarquia não quis comentar à Lusa o apelo feito, segunda-feira, pelo Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Vestuário, Calçado e Curtumes do distrito do Porto para que a Câmara de Felgueiras intervenha no sentido de encontrar instalações que permitam a manutenção dos 100 postos de trabalho em risco.
Uma fonte próxima do processo disse à Lusa que a Administração da empresa "conhecia o despacho ministerial e nada fez para alterar a situação, nem tomou qualquer iniciativa no sentido de tentar suspender a ordem de encerramento".
"Na sua actual localização a fábrica não tem condições para continuar a laborar", admitiu o dirigente sindical Carlos Pereira, apelando à autarquia para que procure, num dos seus pólos industriais, um pavilhão para onde deslocar a unidade e os seus 100 trabalhadores.
De acordo com Carlos Pereira, a unidade possui uma tinturaria e estamparia de produtos têxteis, tendo-lhe sido detectadas várias "irregularidades" do ponto de vista ambiental e das condições de higiene e segurança no trabalho.
"Já em Março de 2006 houve uma intervenção do Ministério do Ambiente, que detectou um conjunto de irregularidades e, desde então, a empresa teve tempo para evitar esta situação", disse Carlos Pereira.
Apesar das garantias da administração da "Fábrica da Bouça" de que "está a tentar voltar a laborar", tendo para o efeito já apresentado uma providência cautelar no Tribunal de Felgueiras, o sindicato diz temer pela continuidade dos 100 postos de trabalho.
"O poder local pode ter aqui uma palavra a dizer", defende o sindicalista.