Fed não tem pressa, mas admite que tarifas podem aumentar inflação e desemprego

A Reserva Federal (Fed) norte-americana "não tem pressa" para agir numa altura de alta incerteza, mas as tarifas determinadas por Donald Trump podem elevar a inflação e o desemprego, assume o presidente da instituição, Jerome Powell.

Lusa /

Na conferência de imprensa para explicar a decisão de manter os juros, Powell repetiu que os governadores querem "esperar para ver" o que vai resultar das negociações com vários países sobre as tarifas para perceber como devem agir.

"Estamos confortáveis com a nossa postura de política, não sentimos que temos de estar apressados, quando as coisas se desenvolverem conseguimos mover-nos rápido", reiterou o presidente da Fed.

Ainda assim, Powell assumiu que as tarifas, quando estiverem decididas e em vigor em pleno, vão ter consequências que afetam ambos os objetivos do mandato da Fed: estabilidade de preços e do emprego.

"Se os grandes aumentos de tarifas anunciados se mantiverem, provavelmente gerarão um aumento da inflação, uma desaceleração do crescimento económico e um aumento do desemprego", disse Powell.

Apesar de ser certo que vão ter um impacto, a sua duração ainda é incerta, notou, sendo que "os efeitos sobre a inflação podem ser de curta duração, refletindo uma mudança pontual no nível de preços, mas também é possível que os efeitos inflacionistas sejam mais persistentes".

Com a decisão da reunião de hoje, as taxas de referência do banco central norte-americano continuam no intervalo de 4,25%-4,5%, tal como já era antecipado pelos mercados e pelos analistas.

Quanto aos dados que mostraram uma contração da economia dos EUA no primeiro trimestre, o presidente da Fed apontou que a antecipação das importações afetou os indicadores, mas que os sinais da atividade económica continuam positivos.

"Ainda é uma economia saudável", reiterou, apesar de estar envolta num sentimento mais negativo por parte das famílias e empresas.

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