Filipe de Botton diz que aumento sobre os mais ricos não aumentará rendimento da classe média

Lisboa, 11 Fev (Lusa) - O empresário Filipe de Botton defendeu hoje que o aumento da taxação sobre os rendimentos mais elevados não vai "infelizmente" permitir uma redistribuição da riqueza tal que aumente o rendimento da classe média, defendendo antes medidas estruturais imediatistas.

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"Não me choca que haja um aumento de taxação sobre os rendimentos mais elevados, mas isto não vai infelizmente permitir uma tal redistribuição de riqueza que aumente o rendimento da classe média", disse Filipe de Botton à agência Lusa escusando-se a comentar as declarações do primeiro-ministro, admitindo apenas falar sobre o tema em termos genéricos.

Segundo o empresário, o que é necessário é a adopção de "medidas estruturais imediatistas", com efeito instantâneo, e não tanto o aumento da taxação sobre os rendimentos mais elevados que só terá efeito dentro de 18 meses "ou na melhor das hipóteses dentro de um ano".

"Só em 2010 é que vou pagar o aumento da taxa. É preciso criar medidas com efeito imediatista, como a redução de impostos indirectos que tem um efeito directo no aumento do consumo", exemplificou.

A esta medida, Filipe de Botton acrescentou ainda o apoio directo às empresas com a redução dos impostos, nomeadamente os mensais, o fim do pagamento especial por conta das empresas e a redução imediata da taxa de segurança social também das empresas.

A agência Lusa contactou o empresário depois de José Sócrates ter anunciado no fim-de-semana uma proposta que visa aumentar as deduções fiscais dos cidadãos com maiores rendimentos em benefício da classe média.

Comentando a proposta de José Sócrates "quando vem falar em como os ricos deveriam ajudar os pobres", o presidente da Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, afirmou hoje que a actual crise está a ser agravada pela "demagogia que o senhor primeiro-ministro está empregando neste momento [e] é absolutamente intolerável".

"Mais grave ainda temos um Parlamento...que nada discute e nada controla", disse Soares dos Santos.

JMG


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