FMI destaca apoio a reformas em Timor-Leste e vê adesão à ASEAN como oportunidade

FMI destaca apoio a reformas em Timor-Leste e vê adesão à ASEAN como oportunidade

O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou hoje que está a apoiar Timor-Leste na modernização financeira, destacando que a adesão do país à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) é uma oportunidade para aprofundar reformas económicas.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Wikipedia

"Estamos a apoiar Timor-Leste através de um vasto apoio ao desenvolvimento de capacidades, quer na modernização dos enquadramentos monetário e financeiro, quer na área orçamental", afirmou hoje o diretor do Departamento Ásia-Pacífico do FMI, Krishna Srinivasan, em resposta a perguntas da Lusa durante a apresentação do relatório regional para a Ásia e Pacífico.

"É um país que aderiu recentemente à ASEAN e isso, por si só, proporciona uma boa base para avançar com reformas que coloquem o país numa posição sólida", acrescentou.

Timor-Leste tornou-se oficialmente o 11.º Estado-membro da ASEAN em outubro de 2025.

As declarações surgem depois do FMI prever que a economia timorense continue a crescer nos próximos anos, ainda que enfrentando desafios relacionados com a sustentabilidade orçamental e a dependência das receitas petrolíferas.

Segundo as projeções divulgadas pelo FMI esta semana, o produto interno bruto (PIB) de Timor-Leste deverá crescer 4% em 2026 e 3,7% em 2027, após uma expansão estimada de 4,5% em 2025.

A inflação deverá manter-se relativamente baixa, em 2,1% e 2,2%, respetivamente, enquanto o défice da balança corrente continuará muito elevado, equivalente a 38,5% do PIB em 2026 e 38,4% em 2027.

Num relatório sobre a situação da Ásia-Pacífico (Regional Outlook Report for Asia-Pacific), hoje apresentado, o FMI assinalou também que Timor-Leste integra o grupo de países asiáticos que adotaram medidas para responder a riscos de escassez energética e perturbações nas importações, incluindo a diversificação de aprovisionamento de produtos petrolíferos.

Já durante a consulta anual ao abrigo do Artigo IV, realizada em Díli em agosto deste ano, a missão do FMI liderada por Sumiko Ogawa considerou que Timor-Leste se encontra "numa fase crucial do seu percurso de desenvolvimento".

Na declaração divulgada no final da visita, o FMI destacou os progressos alcançados desde a independência na construção de instituições e na acumulação de poupanças através do Fundo Petrolífero, defendendo, contudo, uma aceleração dos esforços de diversificação económica e de reforço da resiliência do país.

Segundo a missão, o orçamento de 2027 deverá marcar uma mudança decisiva em direção à sustentabilidade orçamental, através da contenção da despesa corrente, da melhoria da eficiência do setor público e do reforço das receitas internas.

Sem reformas adicionais, advertiu a instituição, os défices orçamentais deverão permanecer elevados durante vários anos, o que poderá conduzir ao esgotamento do Fundo Petrolífero no final da década de 2030.

Para evitar esse cenário, o FMI defende uma agenda de reformas centrada na moderação da despesa pública, no aumento da mobilização de receitas, no aprofundamento das reformas da gestão das finanças públicas e na melhoria do ambiente de negócios, com vista a promover o desenvolvimento do setor privado, a diversificação económica e um crescimento sustentável de longo prazo.

Questionado sobre o impacto da subida dos preços da energia na região, Srinivasan alertou que as economias asiáticas permanecem particularmente expostas devido à forte dependência de importações energéticas.

O responsável explicou que a intensidade energética das economias da região é "significativamente superior à de outras partes do mundo, nomeadamente da União Europeia", o que "aumenta a vulnerabilidade tanto da inflação como do crescimento económico" a choques nos mercados energéticos, como o gerado este ano pelos conflitos no Médio Oriente.

"Se este choque durar mais tempo, vai afetar mais os países da região", advertiu.

Tópicos
PUB