FMI melhora projeção de crescimento económico do Brasil em 2026
O Fundo Monetário Internacional (FMI) melhorou hoje em três décimas a previsão de crescimento para o Brasil em 2026 face ao projetado em janeiro, situando-a agora nos 1,9%, ainda abaixo dos 2,3% de 2025.
Na anterior projeção, em outubro, o FMI apontava para um crescimento de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) da maior economia da América Latina.
No relatório de Perspetivas Económicas Mundiais, hoje divulgado, o FMI alerta para um cenário mais complexo em 2027, ano para o qual reduz a sua previsão para 2%, devido ao aumento dos custos de produção e ao endurecimento das condições financeiras globais.
Ainda assim, a previsão de 2% para 2027 está acima da prevista para este ano (1,9%).
Segundo os economistas do Fundo, o país beneficiará, em 2026, da sua condição de exportador de petróleo, o que lhe permitirá tirar partido da subida dos preços internacionais.
O FMI estima que o impacto do conflito no golfo Pérsico terá um efeito positivo líquido de 0,2 pontos percentuais no PIB brasileiro este ano.
Contudo, em 2027, o enfraquecimento da procura global, o aumento dos custos de insumos, especialmente os fertilizantes, e condições financeiras mais restritivas que limitarão o investimento deverão travar o dinamismo da atividade económica, segundo o FMI.
Apesar da revisão em baixa para o próximo ano, o organismo salienta que o Brasil dispõe de instrumentos sólidos para resistir a estes choques externos, uma vez que possui "reservas internacionais adequadas, uma baixa dependência da dívida em moeda estrangeira e amplas almofadas de liquidez por parte do Governo".
O relatório destaca ainda que a flexibilidade da taxa de câmbio será uma ferramenta fundamental para absorver os impactos da volatilidade internacional.
Com estes números, o Brasil deverá crescer em 2026 acima da média das economias avançadas da zona euro (1,1%), embora permaneça abaixo da média prevista para as economias emergentes e em desenvolvimento, que o FMI fixa nos 3,9%.
A previsão do FMI é ligeiramente mais otimista do que a do Banco Central brasileiro, que projeta um crescimento de 1,6% para este ano, e a do Governo, que aponta para 1,8%.