FMI revê em alta crescimento da economia portuguesa para 2,1% este ano e 1,9% em 2027
O Fundo Monetário Internacional reviu em alta o crescimento da economia portuguesa para 2,1% este ano e 1,9% em 2027, mas continua mais pessimista que o Governo, segundo o World Economic Outlook divulgado esta terça-feira.
Apesar de as perspetivas serem melhores do que as divulgadas em junho, no relatório relativo ao Artigo IV, continuam a ser inferiores às do Executivo, que segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027 prevê um crescimento da economia de 2,3% este ano e de 2,1% no próximo.
As previsões do FMI foram revistas de um crescimento de 1,7% em 2026, estimado em junho, para 2,1%, enquanto para 2027 passaram de 1,6% para 1,9%.
Jornal da Tarde | 13 de outubro de 2026Quanto à inflação em Portugal, a instituição estima que esta irá acelerar para 3,2% este ano, abrandando depois para 3% em 2027.
Já o Governo antecipa uma taxa de inflação média, medida pelo IHPC (Índice Harmonizado de Preços no Consumidor), de 2,9% este ano, que deverá diminuir para 2,3% em 2027.
Para o desemprego, o FMI aponta que a taxa irá recuar de 6% para 5,9%, tanto este ano como no próximo.
Previsão de crescimento global de 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027
No seu relatório, o Fundo Monetário Internacional prevê ainda que a economia mundial cresça 3,1% em 2026 e 3,4% em 2027.
A previsão para este ano está inalterada em relação a abril, mas foi revista em alta em 0,1 pontos percentuais (pp) face à atualização de julho. Já a estimativa para 2027 foi revista em alta em 0,2 pp face a abril mas manteve-se igual a julho. Ainda assim, a instituição ressalva que este desempenho esconde "grandes movimentos compensatórios entre países e uma maior concentração do crescimento global".
Segundo os dados do FMI, 32 economias correspondem agora a 95% do crescimento global, em comparação com 54 economias em abril, ao passo que as revisões em baixa tornaram-se mais generalizadas, com cerca de 47% das economias a ver as suas projeções reduzidas.
"A economia global não está simplesmente a desacelerar ou acelerar, o crescimento está a ser realocado entre os países conforme a exposição de cada um ao choque de oferta decorrente da guerra e à força da procura relacionada com a Inteligência Artificial (IA)", lê-se no relatório.
De acordo com as projeções, o crescimento nas economias avançadas deve aumentar ligeiramente, passando de 2% em 2025 para 2,1% em 2026, antes de desacelerar para 1,8% em 2027.
Os exportadores líquidos de energia "são parcialmente protegidos por efeitos favoráveis nos termos de troca, enquanto os importadores líquidos de energia sofrem um impacto negativo mais acentuado decorrente dos preços mais elevados da energia, a menos que as suas economias sejam impulsionadas por atividades relacionadas com a tecnologia", salienta o FMI.
IA impulsionou crescimento do comércio mundial
A nova economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, afirmou esta terça-feira em conferência de imprensa que a forte procura por Inteligência Artificial impulsionou o crescimento na China, na Índia e noutros países asiáticos, superando o crescimento do comércio global.
Em Banguecoque, a responsável disse ainda aos jornalistas que o comércio mundial teria crescido a um ritmo muito mais lento sem o impulso da IA.
O comércio global cresceu 8,3% entre 2023 e 2025, enquanto o comércio global de IA cresceu 29%. Sem o comércio de IA, o crescimento global do comércio teria sido de apenas 4,6%, detalhou a economista-chefe.
Segundo Tenreyro, o FMI continua preocupado com os elevados níveis de endividamento, instando os países a começarem a fazer cortes orçamentais para reduzir os défices. Referiu ainda que os bancos centrais devem adotar políticas mais restritivas, incluindo o aumento das taxas de juro, para que as taxas de inflação voltem aos níveis-alvo.
Silvana Tenreyro alertou ainda que, apesar de a economia mundial ter resistido a "guerras, inflação e turbulência financeira", este ano, essa capacidade de adaptação está a "chegar ao limite".
O FMI identificou três riscos principais para os próximos anos: uma nova escalada dos preços da energia, uma eventual correção das expectativas em torno da Inteligência Artificial e o agravamento das fragilidades orçamentais.
c/ Lusa