FMI revê em baixa crescimento da China para 4,5% em 2026 e 4% em 2027
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu hoje ligeiramente em baixa as previsões de crescimento da China para 2026 e 2027, devido à fraqueza da procura interna e à subida dos preços da energia, apesar da resistência das exportações.
Nas previsões atualizadas, o FMI antecipa agora um crescimento de 4,5% para a economia chinesa este ano, menos 0,1 pontos percentuais do que na estimativa anterior, seguido de um abrandamento para 4% em 2027, também uma revisão em baixa de 0,1 pontos percentuais.
"A fraqueza do consumo interno e o abrandamento do investimento, num contexto de tensões persistentes no setor imobiliário, foram apenas parcialmente compensados pelo dinamismo das exportações", explicou a instituição.
O FMI considera, contudo, que "o apoio das políticas públicas deverá evitar um abrandamento mais acentuado" da segunda maior economia mundial.
As novas previsões situam-se no limite inferior do objetivo oficial de crescimento fixado por Pequim para este ano, entre 4,5% e 5%, o mais baixo em décadas.
A crise que afeta há vários anos o setor imobiliário chinês tem prejudicado a confiança dos consumidores e travado a atividade económica, apesar do forte crescimento das exportações e de setores de tecnologia avançada, como a inteligência artificial (IA) e os veículos elétricos.
Em contrapartida, o FMI reviu significativamente em alta as previsões para a Índia, cuja economia deverá crescer 7% este ano, mais 0,6 pontos percentuais do que na estimativa anterior, impulsionada pela forte procura interna e pelo dinamismo do setor dos serviços.
Esta evolução reflete "um maior potencial de crescimento, sustentado por uma evolução demográfica favorável, um mercado interno vasto e em expansão e a continuação das reformas estruturais", explicou o Fundo.
A instituição também reviu substancialmente em alta as previsões para a Coreia do Sul, cuja economia deverá crescer 3,3% em 2026, e para Taiwan, onde antecipa uma expansão de 10,7% este ano.
Ambas as economias beneficiam do forte aumento das exportações de semicondutores destinados à inteligência artificial.
"O dinamismo tecnológico impulsionado pela IA compensa amplamente os obstáculos geopolíticos. A curto prazo, isto traduz-se num aumento das exportações, do investimento e da acumulação de capital", observaram os economistas do FMI.
O Fundo alertou, contudo, para a elevada concentração geográfica da indústria mundial de IA.
Taiwan e a Coreia do Sul representam, em conjunto, 62% do comércio líquido de componentes informáticos relacionados com esta tecnologia.
Segundo a instituição, várias economias do Sudeste Asiático "deverão beneficiar da atividade dos centros de dados e da recuperação do ciclo tecnológico mundial".
Em contrapartida, os pequenos Estados insulares em desenvolvimento deverão registar um crescimento mais lento, devido ao aumento dos custos da energia, ao abrandamento do turismo e à fraqueza das remessas dos emigrantes.
No Japão, o FMI prevê um abrandamento do crescimento económico para 0,7% em 2026, uma revisão em alta de 0,1 pontos percentuais.
As medidas de estímulo orçamental da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, deverão atenuar parcialmente o impacto da subida dos preços da energia, segundo a instituição.