Folhetos colocados na caixa do correio podem ser postos a render

Os folhetos que todos os dias chegam às caixas de correio podem valer dinheiro a quem os recebe, pois há quem tenha tido a ideia de os pôr a render, tornando-os numa "ferramenta de negociação, negociação e análise".

Agência LUSA /

Adriano Ribeiro, sócio da Solo Digital, do grupo Publinfo, explicou à Lusa que o grupo - a actuar em Portugal há seis anos - tem presentemente uma equipa de 110 correspondentes, "que quer ampliar para 150, estando à procura de novos angariadores".

Segundo o responsável, o tipo de folhetos distribuídos na área de residência de uma pessoa determina se ela pode tornar-se angariadora, passando a remeter os folhetos para a Solo Digital/Publinfo num envelope franquiado cedido pela empresa.

"Se um residente nas Twin Towers, em Lisboa, quiser entrar para a equipa, aceitamos, pois precisamos de alguém que recolha folhetos do supermercado SuperSol", exemplificou Adriano Ribeiro.

A Solo Digital/Publinfo está também à procura de moradores de Mem Martins "que se comprometam a recolher folhetos do supermercado Polisuper" e "pessoas de Famões, que consigam folhetos de cash & carry [lojas grossistas] da Manuel Nunes", indicou.

"Cada angariador recebe 16 euros por mês, aos quais se somam seis euros por cada folheto de cash & carry que enviarem, uma vez que estes não são colocados nas caixas de correio e se tornam mais difíceis de arranjar", esclareceu Adriano Ribeiro.

De acordo com o sócio da Solo Digital, "há pessoas a ganhar até 40 euros por mês e os pais podem usar este ganho extra para abrirem uma conta para os filhos e os ensinarem a poupar".

Mas, o que faz a Solo Digital/Publinfo com os folhetos recolhidos? "Digitaliza-os e coloca essa informação numa base de dados na Internet que é depois comercializada, sendo o acesso aos seus conteúdos apenas permitido a assinantes" - esclareceu o responsável.

Esta reunião de informação destina-se a dois públicos-alvo: as empresas que vendem para a grande distribuição (caso da Nestlé, Coca- Cola, Compal, Fagor, Sony, Lever e outras) e a própria distribuição (super e hipermercados).

"Os clientes da Publinfo podem aceder aos conteúdos no site www.publinfo.com, onde é feito o acompanhamento de mais de uma centena de insígnias, da Worten à Makro, passando pelo Carrefour, Pingo Doce, Singer, Rádio Popular ou Feira Nova", afirmou Adriano Ribeiro à Lusa.

A base de dados permite fazer uma busca por produto, marca ou cliente, entre outros critérios, bem como fazer estudos ao longo do tempo, uma vez que o serviço assegura sempre pelo menos "dois anos de historial", revelou também.

"Um cliente pode, por exemplo, informar-se facilmente acerca dos preços que está a praticar a concorrência ou averiguar se o preço de um produto tem vindo a subir ou a descer ao longo do tempo", indicou ainda, descrevendo algumas das possibilidades do sistema.

A base de dados inclui desde produtos alimentares a electrodomésticos, "tendo sido excluídos os artigos de vestuário, por ser muito difícil estabelecer comparações nesta área", concluiu.

Com mais de 500 clientes na Europa, o grupo Publinfo está presente em Espanha (onde controlam mais de 20 mil lojas), França, Benelux, Portugal, Áustria e Polónia e diz ser o único na Europa com base de dados sistematizada na Net a prestar este tipo de serviço.

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