Economia
Fórum sobre a Nova Rota da Seda termina em Pequim
Foi com um novo ataque ao protecionismo que o Presidente chinês Xi Jinping encerrou o primeiro Fórum "Um Cinturão, Uma Estrada", que visou integrar os envolvidos no projeto chinês Nova Rota da Seda. "A globalização enfrenta ventos contrários", afirmou o homem forte do regime comunista chinês. "Devemos procurar resultados através de maiores abertura e cooperação", acrescentou, "e rejeitar o protecionismo."
A iniciativa Nova Rota da Seda foi lançada em 2013 por Xi Jinping como forma de aprofundar um caminho de paz, de inclusão mundial e de prosperidade para todos através do comércio livre. O objetivo oficial é criar grandes vias de comércio ligando a Ásia à América, à Europa e a África.
Uma estrada para a "paz e a prosperidade" poderá ser alcançada se todos os envolvidos fizerem um esforço conjunto, mesmo se o projeto ainda tem um longo caminho a percorrer, disse Xi Jinping aos jornalistas no encerramento do Fórum.

Também conhecido como "Um Cinturão, Uma Estrada", o projeto não irá fundar a cooperação em bases ideológicas mas irá ser aberto e inclusivo, afirmou o Presidente chinês aos jornalistas, confirmando a sua ideia para as Novas Rotas da Seda.O nome Nova Rota da Seda é uma referência à grande rota de comércio que ligava a Ásia à Europa antes do desenvolvimento do caminho marítimo para a Índia.
A iniciativa poderá garantir uma economia global aberta, relançar a globalização e abrir caminho à liberalização do comércio, garantindo também apoio a um desenvolvimento 'verde' e de baixa produção de gases de estufa, sustentável em termos ambientais, acrescentou Jinping esta segunda-feira, referindo que o próximo Fórum está marcado para 2019.
Uma estrada para a "paz e a prosperidade" poderá ser alcançada se todos os envolvidos fizerem um esforço conjunto, mesmo se o projeto ainda tem um longo caminho a percorrer, disse Xi Jinping aos jornalistas no encerramento do Fórum.
Também conhecido como "Um Cinturão, Uma Estrada", o projeto não irá fundar a cooperação em bases ideológicas mas irá ser aberto e inclusivo, afirmou o Presidente chinês aos jornalistas, confirmando a sua ideia para as Novas Rotas da Seda.O nome Nova Rota da Seda é uma referência à grande rota de comércio que ligava a Ásia à Europa antes do desenvolvimento do caminho marítimo para a Índia.
A iniciativa poderá garantir uma economia global aberta, relançar a globalização e abrir caminho à liberalização do comércio, garantindo também apoio a um desenvolvimento 'verde' e de baixa produção de gases de estufa, sustentável em termos ambientais, acrescentou Jinping esta segunda-feira, referindo que o próximo Fórum está marcado para 2019.
Biliões para todos
Pequim garante que a sua iniciativa está aberta a todos e tem estado a financiar com biliões de euros projetos de infraestruturas - parques industriais, portos, comboios e auto-estradas - em 60 países.
No centro deste esforço que envolve biliões de dólares, estão os dois principais financiadores de Pequim, o Banco de Desenvolvimento da China (DCB) e o Banco Chinês de Exportações e Importações (EXIM) que entre eles já distribuíram 200 mil milhões de dólares em toda a Ásia, Médio Oriente e África.
Agora há que alargar o esforço.
Para este Fórum, Pequim convidou por exemplo representantes das Américas, como os Presidentes do Chile e da Argentina. E logo na abertura, no domingo, o Presidente chinês anunciou um novo pacote de 113 mil milhões de euros - 124 mil milhões de dólares - para financiar novas parcerias.
Ao longo do fim-de-semana o Presidente assinou diversos protocolos de cooperação após encontros bilaterais com diversos chefes de Estado e de Governo, como o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ou o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta.

Apesar do sucesso de várias iniciativas - como a fundação do Banco Asiático de Infraestruturas e Investimento (AIIB), financiado pela China e que acabou de ser alargado para 77 países membros - o projeto do presidente chinês levanta sérias dúvidas a muitos dos potenciais envolvidos.
A Austrália já se demarcou da iniciativa dizendo que prefere dar piroridade aos seus projetos e a Índia recusou participar no Fórum, invocando receios do um peso insustentável de dívida.
Para enfrentar estes argumentos o EXIM já anunciou que haverá tetos da dívida próprios para cada país. O CDB afirma que está a aplicar limites estreitos às linhas de crédito concedidas aos Estados a que empresta e a controlar a concentração de empréstimos.
Vários bancos e países - a maioria com fracas economias - poderão ficar a braços com dívidas impagáveis, já que a China abriu linhas de crédito a juros ínfimos e de longo prazo a vários países, de forma a construir ou ampliar diversas infraestruturas necessárias ao "Cinturão".
Por exemplo, pretende construir três dezenas de centrais nucleares nos corredores económicos da Nova Rota da Seda no centro e sul da Ásia, Médio Oriente e até Europa, exportando assim a sua tecnologia - que em 2016 incluia 30 reatores nucleares em funcionamento e 24 em construção - em concorrência com cerca de 70 países, incluindo a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão.
O porto grego de Piraeus também já é da China, que pretende fazer dele um grande ponto de passagem e de distribuição de produtos. O Paquistão assinou protocolos no valor de 500 milhões de dólares para a construção de uma rede de estradas, linhas férreas e infraestruturas energéticas.
O gigante chinês de transporte, COSCO Shipping, planeia por seu lado investir na zona económica especial do Cazaquistão junto à fronteira chinesa, e esta segunda-feira tinha previsto assinar um contrato com a companhia nacional cazaque de comboios para conseguir uma participação de 24 por cento do porto seco de Khorgos.
Portugal, através do Porto de Sines e da Zona Franca da Madeira tem mostrado igualmente interesse no projeto Nova Rota da Seda.Receios ocidentais
De forma geral os países ocidentais receiam contudo a força centrífuga do gigante chinês, que se dispõe a controlar os cordelinhos do comércio mundial, embora apoiem a ideia "Um Cinturão, Uma Estrada".

Liderados pela Alemanha, exigem mais transparência e garantias de participação e de proteção social e ambiental. E receiam que o projeto sirva, sobretudo, para escoar produtos chineses."É muito importante para nós e para as nossas empresas que os apelos ao projeto sejam transparentes, que não haja discriminações e que eles respeitem as normas internacionais. Penso que haja margem para progressos sob este aspeto", referiu este fim-de-semana perante os delegados de Pequim a ministra alemã da Economia, Brigitte Zypries.
À cautela, os países do G7 - exceção feita a Itália - enviaram por isso ministros da Economia ou do Comércio à cimeira de dois dias que terminou esta segunda-feira e que reuniu quase 30 chefes de Estado em Pequim, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Grécia e Reino Unido aplaudem abertamente o esforço do regime chinês e a aposta na mundialização implícita na Nova Rota da Seda. E, tal como a Itália, a Espanha, a Polónia, a Hungria e a República Checa, estiveram em Pequim ao mais alto nível.
"Nestes tempos em que a tentação é grande de responder à crise da mundialização com o isolamento e com muros, esta iniciativa oferece uma visão de conectividade, de cooperação e de diálogo", sublinhou o chefe do Governo grego, Alexis Tsipras.
Evocando o Brexit, também o ministro britânico dos Negócios estrangeiros, Phillip Hammond, garantiu que o seu país está pronto a "trabalhar para o sucesso desta iniciativa com todos os parceiros das Novas Rotas da Seda".
O Reino Unido e a Grécia recusaram apesar disto - tal como Portugal, França, Alemanha e Estónia - associar-se a um comunicado sobre o comércio elaborado pela China para esta cimeira, considerando que o texto não garantia de forma inequívoca a transparência dos mercados ou as regras de proteção social e ambiental. Fontes diplomáticas afirmaram mesmo que o texto apresentava recuos quanto a outros aceites nos últimos anos por Pequim.
A recomendação de abertura de Xi Jinping poderá voltar-se contra a China, acusada de fechar o seu mercado a empresas externas se não assumirem parceiros estratégicos chineses. Por outro lado, a injeção de milhares de milhões em financiamento nos projetos apoiados por Pequim em vários pontos do mundo já está a envolver a maioria das empresas chinesas.
Pequim garante que a sua iniciativa está aberta a todos e tem estado a financiar com biliões de euros projetos de infraestruturas - parques industriais, portos, comboios e auto-estradas - em 60 países.
No centro deste esforço que envolve biliões de dólares, estão os dois principais financiadores de Pequim, o Banco de Desenvolvimento da China (DCB) e o Banco Chinês de Exportações e Importações (EXIM) que entre eles já distribuíram 200 mil milhões de dólares em toda a Ásia, Médio Oriente e África.
Agora há que alargar o esforço.
Para este Fórum, Pequim convidou por exemplo representantes das Américas, como os Presidentes do Chile e da Argentina. E logo na abertura, no domingo, o Presidente chinês anunciou um novo pacote de 113 mil milhões de euros - 124 mil milhões de dólares - para financiar novas parcerias.
Ao longo do fim-de-semana o Presidente assinou diversos protocolos de cooperação após encontros bilaterais com diversos chefes de Estado e de Governo, como o Presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, ou o Presidente do Quénia, Uhuru Kenyatta.
Apesar do sucesso de várias iniciativas - como a fundação do Banco Asiático de Infraestruturas e Investimento (AIIB), financiado pela China e que acabou de ser alargado para 77 países membros - o projeto do presidente chinês levanta sérias dúvidas a muitos dos potenciais envolvidos.
A Austrália já se demarcou da iniciativa dizendo que prefere dar piroridade aos seus projetos e a Índia recusou participar no Fórum, invocando receios do um peso insustentável de dívida.
Para enfrentar estes argumentos o EXIM já anunciou que haverá tetos da dívida próprios para cada país. O CDB afirma que está a aplicar limites estreitos às linhas de crédito concedidas aos Estados a que empresta e a controlar a concentração de empréstimos.
Vários bancos e países - a maioria com fracas economias - poderão ficar a braços com dívidas impagáveis, já que a China abriu linhas de crédito a juros ínfimos e de longo prazo a vários países, de forma a construir ou ampliar diversas infraestruturas necessárias ao "Cinturão".
Por exemplo, pretende construir três dezenas de centrais nucleares nos corredores económicos da Nova Rota da Seda no centro e sul da Ásia, Médio Oriente e até Europa, exportando assim a sua tecnologia - que em 2016 incluia 30 reatores nucleares em funcionamento e 24 em construção - em concorrência com cerca de 70 países, incluindo a Rússia, a Coreia do Sul e o Japão.
O porto grego de Piraeus também já é da China, que pretende fazer dele um grande ponto de passagem e de distribuição de produtos. O Paquistão assinou protocolos no valor de 500 milhões de dólares para a construção de uma rede de estradas, linhas férreas e infraestruturas energéticas.
O gigante chinês de transporte, COSCO Shipping, planeia por seu lado investir na zona económica especial do Cazaquistão junto à fronteira chinesa, e esta segunda-feira tinha previsto assinar um contrato com a companhia nacional cazaque de comboios para conseguir uma participação de 24 por cento do porto seco de Khorgos.
Portugal, através do Porto de Sines e da Zona Franca da Madeira tem mostrado igualmente interesse no projeto Nova Rota da Seda.Receios ocidentais
De forma geral os países ocidentais receiam contudo a força centrífuga do gigante chinês, que se dispõe a controlar os cordelinhos do comércio mundial, embora apoiem a ideia "Um Cinturão, Uma Estrada".
Liderados pela Alemanha, exigem mais transparência e garantias de participação e de proteção social e ambiental. E receiam que o projeto sirva, sobretudo, para escoar produtos chineses."É muito importante para nós e para as nossas empresas que os apelos ao projeto sejam transparentes, que não haja discriminações e que eles respeitem as normas internacionais. Penso que haja margem para progressos sob este aspeto", referiu este fim-de-semana perante os delegados de Pequim a ministra alemã da Economia, Brigitte Zypries.
À cautela, os países do G7 - exceção feita a Itália - enviaram por isso ministros da Economia ou do Comércio à cimeira de dois dias que terminou esta segunda-feira e que reuniu quase 30 chefes de Estado em Pequim, incluindo o Presidente russo, Vladimir Putin e o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.
Grécia e Reino Unido aplaudem abertamente o esforço do regime chinês e a aposta na mundialização implícita na Nova Rota da Seda. E, tal como a Itália, a Espanha, a Polónia, a Hungria e a República Checa, estiveram em Pequim ao mais alto nível.
"Nestes tempos em que a tentação é grande de responder à crise da mundialização com o isolamento e com muros, esta iniciativa oferece uma visão de conectividade, de cooperação e de diálogo", sublinhou o chefe do Governo grego, Alexis Tsipras.
Evocando o Brexit, também o ministro britânico dos Negócios estrangeiros, Phillip Hammond, garantiu que o seu país está pronto a "trabalhar para o sucesso desta iniciativa com todos os parceiros das Novas Rotas da Seda".
O Reino Unido e a Grécia recusaram apesar disto - tal como Portugal, França, Alemanha e Estónia - associar-se a um comunicado sobre o comércio elaborado pela China para esta cimeira, considerando que o texto não garantia de forma inequívoca a transparência dos mercados ou as regras de proteção social e ambiental. Fontes diplomáticas afirmaram mesmo que o texto apresentava recuos quanto a outros aceites nos últimos anos por Pequim.
A recomendação de abertura de Xi Jinping poderá voltar-se contra a China, acusada de fechar o seu mercado a empresas externas se não assumirem parceiros estratégicos chineses. Por outro lado, a injeção de milhares de milhões em financiamento nos projetos apoiados por Pequim em vários pontos do mundo já está a envolver a maioria das empresas chinesas.