Frente Comum ameaça com novas formas de luta em fevereiro

Ana Avoila, líder da Frente Comum, disse esta quinta-feira que está a ser preparada uma nova ação de luta no mês de fevereiro depois de uma nova ronda negocial que decorreu no Ministério das Finanças e na qual não houve acordo. De acordo com Ana Avoila, a forma de luta pode “passar por uma manifestação ou uma greve”.

RTP /
Reuters

Depois de terminada sem acordo mais uma ronda negocial com o Governo, a Frente Comum ameaçou que pode haver novas ações de luta já em fevereiro, caso o Ministério das Finanças não faça uma proposta sobre o pedido de aumento de salários na Administração Pública, apesar de ter garantido que as reuniões vão continuar no mês de janeiro.

“Podemos ir para a luta em Fevereiro, que pode passar por uma manifestação nacional ou uma greve”.

Os sindicatos que estiveram na ronda negocial (FESAP, Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado e Frente Comum) pediram aumentos para todos os salários da Administração Pública até 1500 euros mas a proposta do Governo limitou-se aos salários mais baixos. A proposta do executivo foi de aumentar os salários de 580 euros para 635 no próximo ano, algo que vai abranger 70 mil trabalhadores.

No Ministério das Finanças, Ana Avoila declarou que o Governo é responsável pela situação da Administração Pública (como falta de pessoal ou falta de rendimento) e instou os trabalhadores a organizarem-se para haver luta e melhores condições de vida.

“Trabalhadores têm que se organizar e só lutando é que se mudam condições de vida”, disse Ana Aviola.

A líder da Frente Comum acusou o Governo de apenas ter 50 milhões de euros para aumentar o salário mínimo, sem que haja aumentos para os restantes escalões para a Função Pública. Ana Avoila garantiu que as propostas colocadas em cima da mesa não vão mudar.

“Estamos há dez anos sem aumentos de salários. Quatro por cento e 60 euros de aumento não é nada no que toca a um período de dez anos”.

De acordo com a Direção-Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP), os últimos dados mostram que no Estado trabalham 671 mil trabalhadores, o que faz com que mais de 600 mil não tenham atualizações salariais.

Na última quarta-feira, Mário Centeno anunciou que a despesa com pessoal na Administração Pública vai aumentar 1950 milhões de euros na legislatura, valor mais alto desde o ano de 2002, e que o salário médio da Administração Pública aumentou 20 por cento nos últimos quatro anos.
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