Fundo para diversificar economia de Macau pode investir em empresas estrangeiras
O Governo de Macau garantiu hoje que um novo fundo de 11 mil milhões de patacas (1,17 mil milhões de euros), criado para diversificar a economia local, vai estar aberto a investir em empresas estrangeiras.
O Conselho Executivo da região semiautónoma chinesa concluiu a discussão sobre as regras que irão ditar a gestão do Fundo de Orientação Governamental, criado no final de fevereiro.
O porta-voz do Conselho Executivo prometeu que o fundo irá "incentivar o emprego local e o desenvolvimento de quadros qualificados (...), em benefício das empresas e dos residentes de Macau".
Mas Wong Sio Chak sublinhou que o novo fundo irá investir em empresas de capitais "quer locais quer do exterior, sempre que tenham um contributo para o desenvolvimento de Macau".
O também secretário para a Administração e Justiça acrescentou ainda que o investimento público "certamente será vantajoso para captar mais quadros qualificados do exterior".
Wong recordou que, em 18 de agosto, a secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, O Lam, prometeu rever o regime para a captação de quadros qualificados, para "aumentar a sua eficiência".
O Lam falava durante a apresentação do terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Económico de Macau, que aponta como meta "criar condições favoráveis à captação" de mais quadros qualificados dos países lusófonos.
Em maio, o Governo criou a Sociedade de Investimento e Gestão de Macau (MIMC, na sigla em inglês), uma empresa de capitais públicos para gerir o Fundo de Orientação Governamental.
António Tam Chi Neng, administrador da MIMC, disse hoje que, "com certas empresas", as autoridades irão exigir, "enquanto houver investimento público, que contribuam para o desenvolvimento económico de Macau".
"Quando essa exigência não for cumprida, em violação do contrato", haverá um mecanismo para a retirada obrigatória do investimento público, que poderá também ser usado "em situações de corrupção", sublinhou António Tam.
Em março, depois do anúncio da criação do fundo, o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa em Macau disse à Lusa que a decisão "abre portas" a investidores lusófonos interessados na China.
"O foco em indústrias emergentes e na transformação de resultados científicos e tecnológicos abre portas para investidores estrangeiros, incluindo os lusófonos", afirmou Carlos Cid Álvares.
O novo fundo "poderá ser uma oportunidade para as empresas dos países de língua Portuguesa", disse o dirigente.
"O fundo, ao privilegiar o investimento em projetos de inovação e modernização industrial, poderá funcionar como um catalisador para que essas empresas encontrem em Macau um parceiro estratégico e capital para escalar os seus projetos na Ásia", descreveu Álvares.
O empresário salientou que os setores alvo prioritários definidos por Macau coincidem com áreas onde empresas do Brasil, Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa têm "know-how e competitividade internacional".