Fusão entre Oi e Brasil Telecom aumentaria facturação e reduziria os custos das empresas - estudo
A fusão das empresas brasileiras de telefonia fixa OI (antiga Telemar) e Brasil Telecom aumentaria a facturação e reduziria os seus custos operacionais, revela um estudo da consultora Accenture hoje divulgado.
De acordo com o estudo, as duas operadoras teriam receitas conjuntas anuais de cerca de 12 mil milhões de dólares, com uma capacidade de aumentar a facturação em 20 por cento até 2010.
A fusão diminuiria, por outro lado, os custos operacionais em até dois mil milhões de dólares por ano, nomeadamente com as sinergias na compra de equipamentos e na partilha de infra-estruturas, com call-center e redes.
"Isoladamente seria difícil manter essa trajectória", salientou o director da Accenture, Ricardo Distler, em declarações ao jornal Valor Económico, ao sublinhar que a criação de grandes empresas nesse sector é uma tendência mundial.
"Há risco em deixar companhias fragmentadas. Juntas OI e Brasil Telecom tornam a concorrência mais robusta, teoricamente trazendo benefícios para a sociedade", salientou.
O ministro das Comunicações do Brasil, Hélio Costa, voltou a defender esta semana, em Brasília, a fusão das duas empresas de telecomunicações.
A fusão permitiria a criação de uma grande empresa de telecomunicações para evitar que grandes grupos estrangeiros dominem o mercado brasileiro.
A proposta de criação de um grande operador luso-brasileiro foi apresentada a Hélio Costa pelo presidente da PT, Henrique Granadeiro, durante um encontro, no fim de Maio, em Brasília.
Granadeiro disse que a PT está "disponível para um entendimento amigável" que inclua a troca de participação accionistas para a criação de um "pilar luso-brasileiro" no sector das telecomunicações.
A OI é uma das três grandes operadoras de telecomunicações fixas que actua no mercado brasileiro, ao lado da Brasil Telecom (regiões Sul e Centro-Oeste) e da Telefónica (Estado de São Paulo), desde a privatização do sector, em 1998.
A opeadora é detida pela holding Telemar Participações, controlada a 100 por cento por grupos brasileiros, como a Andrade Gutierrez Telecom, La Fonte, fundos de pensão e o banco estatal BNDES, maior accionista com 25 por cento.
A OI lançou recentemente uma oferta de compra de suas acções preferenciais no mercado brasileiro, o que foi interpretado como o primeiro passo de uma reestruturação accionista para futura fusão com a Brasil Telecom.