Futuro da TNC escreve-se segunda-feira no Campus da Justiça

O futuro da TNC, que se encontra em processo de insolvência, decide-se na próxima segunda-feira no Campus da Justiça, em Lisboa, no decorrer de uma assembleia de credores que analisará e votará o plano de viabilização da empresa.

RTP /
Trabalhadores lutam para manter estes camiões na estrada DR

Tem sido longo o calvário dos trabalhadores da Transportadora Nacional de Camionagem (TNC). Desde o passado mês de julho que lutam pelos 125 postos de trabalho. Promoveram várias ações de protesto que culminaram com a marcação, por parte da juíza do Tribunal de Comércio de Lisboa, de uma nova assembleia de credores.

"Esperamos mais de 40 trabalhadores, que a partir das 09h00 se vão concentrar junto ao Campus da Justiça. Temos a esperança de que os credores aprovem o plano de viabilização apresentado", afirmou Anabela Carvalheira, do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos (STRUP).

Nestes cinco meses que levam já de luta, foram várias as reuniões no Ministério da Economia mas que não conduziram a resultados práticos.

Efetuaram, em protesto, seis marchas lentas em direção a Lisboa, cinco delas com destino ao Campus da Justiça, onde os camionistas chegaram a pernoitar no interior dos camiões.

A última dessas marchas lentas em direção ao Campus da Justiça partiu da sede da TNC, em Alverca, e trouxe a Lisboa no passado dia 30 de setembro cerca de 40 camiões. As viaturas estacionaram e permaneceram inertes quais monumentos à persistência da luta, até à noite de 12 de outubro.

Sem que se esperasse e apanhando toda a gente de surpresa, na madrugada de dia 12, mais de duas centenas de polícias levaram a cabo uma operação de arresto dos camiões estacionados no local e na sede da empresa, em coordenação com o administrador de insolvência.

Poucas horas depois do reboque, tornava-se pública a decisão da juíza do Tribunal de Comércio de Lisboa que suspendia a liquidação da TNC e que marcava uma nova assembleia de credores para o dia 5 de dezembro.

A decisão de arresto dos camiões provocou uma enorme polémica, e o Conselho Superior da Magistratura viu-se obrigado a explicar publicamente através de um comunicado a "legalidade do arresto dos camiões", apesar dos protestos dos trabalhadores.

Duas semanas mais tarde, na madrugada de 28 de outubro, mais uma vez a PSP voltou a efetuar uma operação de surpresa e rebocou desta vez mais cinco camiões da sede da empresa.

Sentindo-se impotentes, os trabalhadores reunidos em plenário no dia 03 de novembro, decidiram abandonar a luta e esperar pela realização da assembleia de credores.

Anabela Carvalheira afirmava então que os trabalhadores já não recebiam ordenado desde agosto, o que já teria criado "situações dramáticas em algumas famílias" obrigando "alguns trabalhadores a procurarem outros caminhos".

A dirigente sindical informou ainda na ocasião que alguns dos trabalhadores já tinham começado a entregar nos centros de emprego as cartas de despedimento: "Não há ninguém que aguente estar a viver sem receber há quatro meses".

O processo de insolvência da TNC foi publicado no Diário da República no dia 05 de janeiro de 2010 e numa assembleia de credores realizada a 11 de julho ficou decidida a sua liquidação. É esta decisão que os trabalhadores esperam ver invertida na assembleia do próximo dia 05 com a aprovação do plano de viabilização da empresa.
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