Futuro da Vivo depende decisão do regulador brasileiro sobre entrada da Telefónica na TIM - BES

Bordéus, França, 13 Fev (Lusa) - O presidente executivo do BES, terceiro maior accionista da PT, considera que a definição do futuro da brasileira Vivo está pendente da decisão do regulador brasileiro da Concorrência sobre a posição global da empresa espanhola naquele mercado.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"A PT com certeza estará interessada em comprar [a participação da empresa espanhola] se o regulador brasileiro vier eventualmente a decidir que a Telefónica não pode estar na Vivo", disse Ricardo Salgado, presidente do BES, terceiro maior accionista da operadora portuguesa com 7,79 por cento do capital social.

"É preciso esperar pelo que eles digam (...) está nas suas mãos", afirmou o presidente da Comissão Executiva do BES, terça-feira num jantar com jornalistas portugueses em Bordéus.

Caso se coloque este cenário, a "administração [da PT] tem gerido muito bem a empresa e saberá como conduzir a questão", sublinhou Ricardo Salgado, quando questionado sobre se a Portugal Telecom tem condições financeiras para assumir o controlo da empresa que tem, até agora, gerido em parceria com a Telefónica.

O regulador da Concorrência do Brasil, CADE, está actualmente a analisar o impacto para os consumidores da entrada da Telefónica no capital da Telecom Itália, que controla a operadora de telecomunicações móveis brasileira TIM.

Com este negócio, a Telefónica passa a estar presente no capital das duas maiores empresas de telecomunicações móveis do mercado brasileiro (com uma quota de quase 54 por cento).

A lei brasileira proíbe a sobreposição de licenças telefónicas numa mesma empresa, pelo que a operação, que em Outubro passado colheu a aprovação junto do regulador das Comunicações (ANATEL), deverá respeitar um conjunto de condições impostas por esta entidade.

Entre elas a obrigatoriedade das duas empresas manterem gestões totalmente independentes e estarem proibidas de usufruir de sinergias.

É agora a vez do CADE pronunciar-se sobre a entrada da Telefónica na TIM (por via da Telecom Itália), decisão que poderá resultar numa não oposição com a imposição de condições para minorar eventuais problemas de concorrência, ou na obrigatoriedade da empresa espanhola vender a sua participação na Vivo.

Além do mercado móvel, a Telefónica (segunda maior accionista da PT com uma posição de 9,16 por cento) está ainda presente no mercado fixo na área de São Paulo.

ANP/ABI.

Lusa/Fim


PUB