G7 decide libertar 100 milhões de barris de gasóleo e outras reservas

G7 decide libertar 100 milhões de barris de gasóleo e outras reservas

Em causa está uma operação coordenada a levar a cabo através da Agência Internacional de Energia. O objetivo é tentar estabilizar os mercados internacionais.

Nicole Russo - RTP / Adicionar como fonte informativa
Ludovic Marin - Reuters

Os países do G7 tencionam libertar, de forma coordenada, 100 milhões de barris de diesel e petróleo das reservas de emergência, por meio da Agência Internacional de Energia, de acordo com um comunicado conjunto divulgado esta sexta-feira pelo grupo.

"Implementaremos os nossos compromissos com uma libertação coordenada, por meio da AIE, de 100 milhões de barris, com início imediato e duração de quatro meses, incluindo uma libertação substancial e antecipada de gasóleo nos primeiros 20 dias por parte dos membros e parceiros do G7", indica a nota difundida pelo gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron.
 
As medidas acordadas pelos sete países “deverão fazer baixar os preços" dos combustíveis.
O G7 é composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido e Japão. A União Europeia também participa nas reuniões do grupo.

A agência Reuters dá conta de que, em discussão, está a libertação de 50 milhões de barris de gasóleo por parte dos países europeus, o que equivale a 17 por cento das reservas totais de emergência da UE, segundo dados do Eurostat. Os membros da AIE deverão ficar responsáveis pela outra metade.

Um mês antes das eleições intercalares nos EUA, Donald Trump tem demonstrado alguma preocupação em reduzir os custos internos dos combustíveis e conta, agora, com ajuda externa para controlar a escalada de preços.

“Reunir-nos-emos no âmbito da AIE nos próximos dias para discutir a possibilidade de libertações adicionais de gasóleo, conforme necessário”, pode ainda ler-se no comunicado.

A decisão já foi, entretanto, saudada por António Costa, presidente do Conselho Europeu.

"Esta crise sublinha a importância de reduzirmos a nossa dependência dos combustíveis fósseis e de acelerarmos a transição para fontes de energia produzidas internamente", defendeu o português.

O presidente francês, Emmanuel Macron, cujo país assume atualmente a presidência rotativa do G7, explicou que não há "qualquer proibição" às exportações de gasóleo entre os países que integram o grupo.

Sobre esta questão, a Comissão Europeia avisou que uma proibição da exportação de gasóleo, ponderada pelos Estados Unidos, colocaria em causa o estatuto de Washington como "parceiro fiável".
O papel da Europa nas negociações
A par deste anúncio, a presidência irlandesa do Conselho da UE já havia divulgado a realização de um debate, esta sexta-feira, que se centrou na avaliação da situação energética.

A Europa tem aumentado as suas importações de gasóleo dos Estados Unidos este ano, devido a perturbações no abastecimento por parte de produtores do Golfo, na sequência da guerra com o Irão.

O conflito, iniciado a 28 de fevereiro deste ano, desencadeou a maior libertação de reservas de emergência da história, coordenada pela Agência Internacional de Energia.
Tópicos
PUB