G7 deverá crescer 1,9% este semestre, mas retoma ainda é "frágil", considera a OCDE
Paris, 29 mar (Lusa) -- O crescimento económico nos países do G7, os mais industrializados do mundo, deverá ser "mais vigoroso" no primeiro semestre deste ano, apesar da retoma ser ainda frágil, avançou hoje a OCDE -- Organização para o Comércio e Desenvolvimento Económico.
Na última Avaliação Económica Intercalar elaborada pela OCDE, a organização internacional considera que a recuperação económica "é ainda frágil", prevendo que se desenrole a "dois ritmos de crescimento diferentes", na Europa e nos Estados Unidos.
O economista-chefe que liderou a avaliação, Pier Carlo Padoan, prevê que as economias do G7 cresçam 1,9 por cento no primeiro trimestre do ano, bem como no segundo trimestre de 2012, apesar de esperar "fortes disparidades" no crescimento económico no seio deste grupo de países.
"Nós prevemos que no primeiro semestre de 2012 o crescimento económico seja sustentado pelos Estados Unidos e o Canadá, mas mais fraco do que na Europa, onde as perspetivas se mantêm ainda incertas", disse.
"Nós estamos à beira do precipício e, por isso, não devemos assumir um otimismo excessivo", advertiu.
Nos Estados Unidos, a recuperação atual do emprego, o aumento da confiança dos consumidores, a valorização das ações em bolsa e a expansão do crédito vão sustentar a retoma da economia, esperando-se um crescimento de 2,9 por cento no primeiro trimestre e de 2,8 por cento no segundo trimestre deste ano.
Já no Canadá, a atividade económica deverá crescer 2,5 por cento em ambos os períodos, destaca o relatório.
No entanto, o otimismo que se prevê para a América do Norte contrasta com a situação "muito precária" da Europa, onde a confiança dos consumidores está em baixa, o desemprego está a subir e a restrição no crédito faz antever uma nova "degradação da atividade".
A OCDE prevê também que as três maiores economias da zona euro (Alemanha, França e Itália) deverão registar uma contração de 0,4 por cento, em média, no primeiro trimestre do ano, seguida de uma recuperação moderada de 0,9 por cento no segundo trimestre de 2012.
"A ação dos poderes públicos manter-se-á determinante, em particular na zona euro, onde é preciso ir em frente para completar as medidas de ajustamento orçamental, por em prática as barreiras para enfrentar as situações de crise e avançar com as reformas estruturais que são fundamentais para o crescimento da economia», conclui.