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Galp e Moeve põem fim a conversações para criar gigante ibérico

Galp e Moeve põem fim a conversações para criar gigante ibérico

As companhias Moeve e Galp terminaram as negociações para a criação de um gigante ibérico nos domínios das refinarias, distribuição e comercialização energética.

RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: Jon Nazca - Reuters

A decisão foi conhecida na manhã desta segunda-feira. O negócio havia sido anunciado no início do ano e previa a união de mais de três mil estações de serviço e das refinarias de Huelva, Cádiz y Sines.

A ideia desta fusão passava por reforçar a autonomia energética da Península Ibérica. Contudo, ao cabo de nove meses, não se concretiza porque não há compatibilidade nos critérios estratégicos e financeiros das duas companhias petrolíferas.

De acordo com um comunicado da Moeve, a instabilidade dos mercados energéticos e dos preços está na origem desta incompatibilidade.Em Espanha e Portugal, Moeve e Galp dispõem, em conjunto, de 3.208 postos de venda. Com a anulação deste negócio, a Repsol continuará a dominar a Península Ibérica com 3.800 estacões de serviço.

Na mesma nota, a Moeve assegura que está plenamente centrada em executar a sua estratégia Positive Motion, tendo em vista alcançar a liderança europeia em 2030 nos projetos de hidrogénio verde.

Por sua vez, a Galp garante que o término das negociações não terá impacto nas operações atuais, “nem na confiança da empresa no potencial de criação de valor autónomo do seu portefólio de downstream”.

Citada em comunicado da petrolífera portuguesa, a presidente do Conselho de Administração, Paula Amorim, lamenta a ausência de entendimento, assinalando que o negócio representaria uma oportunidade para fazer nascer um grande operador europeu.

“Embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo”, apontou a responsável.A Galp anunciou esta segunda-feira um aumento do lucro em 68 por cento no terceiro trimestre, para os 682 milhões de euros. Resultado impulsionado pelo crescimento da produção no Brasil, pelas exportações de produtos refinados e pela compra e venda de petróleo e gás nos mercados internacionais.

Paula Amorim salienta, ainda assim, a posição financeira da Galp e as perspetivas de crescimento da atividade de exploração e produção de petróleo e gás.

“A disciplina na alocação de capital e a criação de valor a longo prazo continuarão a orientar as nossas decisões”, enfatiza, para acrescentar que a empresa continua a acreditar nas vantagens da consolidação dos negócios de refinação e comercialização e das parcerias estratégicas.A Galp atualizou de quatro mil para cinco mil milhões de euros a estimativa do EBITDA (resultado operacional bruto) ajustado para 2026, com previsões mais altas para o preço do petróleo e as margens de refinação.

A Moeve, antiga Cepsa, tem como acionistas a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o norte-americano The Carlyle Group.

c/ Lusa
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