Galp Energia distancia-se da Sonangol no controlo da empresa de combustíveis

Cidade da Praia, 27 Nov (Lusa) - A Galp Energia detém 44,6 por cento do capital social da empresa de combustíveis de Cabo Verde, a Enacol, distanciando-se da angolana Sonangol, que apenas controla 38,1 por cento.

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Galp Energia, de Portugal, e Sonangol, de Angola, procuravam desde o ano passado o controlo da empresa de combustíveis de Cabo Verde, mas o jornal A Semana notícia hoje que o domínio da Galp nem sequer foi objecto de discussão na Assembleia-geral Extraordinária da empresa, realizada quarta-feira em S. Vicente.

A Lusa procurou obter um comentário dos responsáveis da empresa mas tal não foi possível, embora na página da Enacol na Internet esteja a sua estrutura accionista: a Galp tem 44,6 por cento, a Sonangol 38,1 por cento, pequenos accionistas 15,2 por cento e o Estado de Cabo Verde 2,1 por cento.

No início deste ano foram marcadas e desmarcadas várias assembleias-gerais da empresa, na sequência da aquisição pela Caixa Banco Investimentos (CBI), via Bolsa de Valores de Cabo Verde, de 6,2 por cento do capital social da Enacol, o que suscitou por parte da Sonangol uma corrida às acções da empresa e a consequente valorização dos títulos da petrolífera cabo-verdiana.

A corrida às acções da empresa levou mesmo a Bolsa de Valores de Cabo Verde a suspender a venda dos títulos a 04 de Dezembro do ano passado, só retomada a 14 de Janeiro.

Em causa estava a luta entre os dois principais accionistas, Galp Energia, de Portugal, e Sonangol, de Angola, pelo controlo da empresa, sendo que a CBI estaria a apoiar a empresa portuguesa.

"Fica claro entretanto que, como se chegou a suspeitar na altura do surgimento da CBI como accionista da Enacol, esta corretora era, de facto, um ´testa de ferro´ da Galp", diz hoje o jornal, explicando que a CBI comprou as acções e vendeu-as à Galp "numa operação corriqueira da Bolsa de Valores de Cabo Verde".

Em Março do ano passado o Estado alienou a sua participação na Enacol, através de uma oferta pública de venda (OPV) de 285.088 acções, representativas de 28 por cento do capital social, mantendo uma Golden Share (possibilidade de ter palavra decisiva em questões estratégicas).

Em 20 de Abril, após a OPV, Galp e Sonangol detinham ambas 33,2 por cento do capital social da Enacol mas no fim do ano, com a empresa cotada em Bolsa, a Galp já tinha 37,5 por cento, a Sonangol 36,7 e a CBI 6,2 por cento.

Na altura o "braço de ferro" entre Galp e Sonangol o então ministro da Economia, José Brito, disse à Lusa que o governo de Cabo Verde defendia um equilíbrio entre os dois maiores accionistas da empresa.

FP.


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