Galp Energia é a empresa mais desejada pelo mercado de capitais
A Galp Energia é a empresa que está fora da bolsa portuguesa que os responsáveis de casas de investimentos mais gostariam de ver cotada, num mercado em que os sectores industrial, imobiliário e de turismo estão em défice.
De sete casas contactadas pela agência Lusa, quatro apontam a Galp Energia como uma das empresas que não é cotada e que, na sua opinião, poderia estar listada na bolsa portuguesa.
"A privatização está para breve, embora a mudança de governo possa atrasar o processo", refere Carla Rebelo, do Banif - Banco de Investimento.
"De qualquer forma será seguramente uma lufada de ar fresco para o mercado português, que permitirá alterar o `status quo` tradicional ao nível das `large caps` [empresas de maior capitalização bolsista]", acrescenta.
Entre outras empresas mencionadas pelos responsáveis das casas de investimento encontram-se nomes como a REN - Rede Eléctrica Nacional, ANA - Aeroportos de Portugal, TAP Air Portugal, Grupo Pestana, Vila Galé, Beloura, Sonae Turismo, Unicer, Centralcer, Águas de Portugal e o Metropolitano de Lisboa.
"Uma bolsa traduzirá, teoricamente, a economia de um país e não há dúvidas que existem muitas lacunas", refere Pedro Lino, da Dif Broker.
Neste âmbito, e dado que algumas das empresas "desejadas" são estatais, "pensamos que o Governo deveria acelerar as privatizações", acrescenta.
Para Carla Rebelo, fazem falta no PSI 20 "mais sectores que representam a estrutura da economia portuguesa:
turismo e imobiliário".
Uma ideia partilhada por Cristina Vieira da Fonseca, da Espírito Santo Research, que defende que tal poderia "trazer maior liquidez e alternativas de investimento" ao mercado.
Na opinião de Pedro Lino, da Dif Broker, o valor acrescentado da entrada de novos sectores no principal índice da Euronext Lisboa "acontece via uma maior visibilidade da bolsa junto dos investidores, através da cotação de mais empresas, e tornando a bolsa numa alternativa mais viável para a aplicação das poupanças e de recursos".
Eduardo Gago, da LJ Carregosa, destaca no mercado português "a inexistência dos sectores da energia e da saúde, bem como o peso excessivamente pequeno de sectores como os da tecnologia e da indústria".
E se "nos sectores da saúde e da tecnologia é compreensível esta ausência da bolsa, porque de facto não são sectores com um peso na nossa economia, nem como empresas de dimensão, já nos sectores da energia e indústria não só existem empresas com alguma dimensão como também têm um peso mais significativo na economia portuguesa do que o espelhado pela bolsa", acrescenta Eduardo Gago.
Também António Seladas, do Millennium bcp investimento, diz que parece "evidente que o sector industrial está sub-ponderado na bolsa, mas obviamente isso deve-se ao modelo de desenvolvimento da economia estar essencialmente suportado nos serviços".
O valor acrescentado com uma representação industrial maior no PSI 20 "seria uma maior diversificação das carteiras accionistas", sublinha António Seladas.
Além das empresas e sectores mencionados, "outra possibilidade seria a dispersão em bolsa de alguma das empresas seguradoras que agora estão integradas em grupos financeiros", refere ainda Eduardo Gago, da LJ Carregosa.
Apesar da diversificação ser reconhecida como uma mais-valia para a bolsa portuguesa, também é sabido que, como relembra Francisco Garcia dos Santos, da Fincor, "os sectores representados resultam das empresas incluídas e não por determinação da construção do índice".
O presidente da corretora afirma que "era interessante o alargamento generalizado de empresas cotadas".
No entanto, "e considerando o tecido empresarial português, iremos abranger muitas PME`s [pequenas e médias empresas]" e "para isso acontecer é preciso motivação empresarial dos accionistas de referência em abrirem o capital", refere Garcia dos Santos.
Ricardo Duarte Silva, do Banco Big considera que são os critérios de acesso ao PSI 20, como a capitalização bolsista e a liquidez, que devem determinar a presença ou não de determinada empresa no principal índice da bolsa portuguesa, não fazendo também referência a qualquer sector ou empresa que poderia estar cotada.