Galp torna-se 3ª maior petrolífera estrangeira no Brasil com campo Tupi
A Galp Energia poderá tornar-se a terceira maior petrolífera estrangeira a operar no Brasil, em termos de reservas de petróleo e gás, graças à participação no recém-descoberto Campo de Tupi, considerado o maior do mundo.
À frente da petrolífera portuguesa, ficariam apenas a Shell e a britânica BG, que deverá tornar-se a detentora de maiores reservas, graças à participação de 25 por cento no campo da Bacia de Santos, de que a Galp é accionista com 10 por cento, segundo escreve hoje o jornal brasileiro O Globo.
A confirmar-se a previsão mínima das reservas do campo de Tupi - 5.000 milhões de barris de óleo equivalente (medida que inclui petróleo e gás natural - a Petrogal fica com 500 milhões de barris, próximo do cenário mais favorável para a petrolífera norte-americana Chevron, que está a desenvolver os campos de Frade e Papa-Terra, dos quais detém respectivamente 52 por cento e 37,5 por cento.
Na melhor das hipóteses face às actuais previsões de reservas para estes dois campos - 300 milhões de barris no primeiro e mil milhões de barris no segundo - a Chevron ficará com reservas de 530 milhões de barris.
O cenário mais optimista para Galp - reservas de 8.000 milhões de barris no Tupi - representa reservas de 800 milhões de barris, o que será certamente suficiente para a terceira posição.
"Se o campo de Tupi ficar no patamar superior das estimativas de reservas, a pequena Petrogal passaria a gigante norte-americana. Na hipótese de as estimativas da Chevron serem comprovadas no patamar mais baixo e das reservas do campo de Tupi também, a Petrogal também assumiria a terceira posição", escreve hoje o jornal brasileiro.
A britânica BG será a maior no país, a confirmarem-se as expectativas mais baixas, ficando com reservas de 1,25 milhões de barris.
As reservas da Shell no país estão estimadas em mil milhões de barris de petróleo, a maior parte no bloco BS-4, na Bacia de Santos (640 milhões de barris para reservas totais de 1,6 mil milhões).
Segundo estimativas do diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), Adriano Pires, dos 14 mil milhões de barris de óleo equivalente (medida que inclui óleo e gás) de reservas já identificadas no país, apenas cinco por cento (700 milhões de barris) estão nas mãos de empresas privadas.
A confirmarem-se as estimativas para o Tupi, a percentagem dos privados triplica, para 15 por cento.
Actualmente a Petrobras, petrolífera estatal, é responsável por 98 por cento da produção brasileira, que ronda os 500 milhões de barris anuais.
Esta semana, o presidente-executivo da Galp Energia afirmou que a petrolífera portuguesa espera descobrir mais petróleo nos 3 blocos da Bacia de Santos onde tem participações.
Manuel Ferreira de Oliveira adiantou que vai rever em alta a sua estimativa de investimentos para o negócio de Produção e Exploração até 2010.
Além da participação no bloco 11 do Tupi, a Galp possui na mesma Bacia de Santos uma participação de 14 por cento no bloco 8, de 20 por cento no bloco 21 e outros 20 por cento no bloco 24.
"Este reservatório [do Tupi] dá algumas indicações de que toda aquela bacia sedimentar é profícua em hidrocarbonetos", afirmou Ferreira de Oliveira durante a apresentação dos resultados dos primeiros nove meses.
Relativamente ao Tupi, Ferreira de Oliveira afirmou não esperar que comece a produzir antes de um período de seis anos, embora admita que possam ser instalados mecanismos de produção antecipada.
Esta reserva aumenta em 50 por cento a dimensão das actuais reservas petrolíferas do Brasil, que são de 14 mil milhões de barris.