Gás Natural critica novos objectivos da administração da Endesa
A Gas Natural criticou hoje os novos objectivos anunciados no início do mês pela administração da Endesa, alvo de uma OPA lançada pela empresa de gás espanhola, considerando que "não são realistas, nem rigorosos, nem credíveis".
Numa nota de imprensa divulgada hoje, a companhia de gás afirma que, com a sua actual direcção, a Endesa não conseguirá um projecto melhor do que a OPA da Gás Natural, não conseguindo valorizar os seus títulos acima do nível em que se encontravam antes da operação ser anunciada.
"A apresentação da Endesa contém uma série de afirmações inexactas, tendenciosas e deliberadamente confusas", nota a Gás Natural.
"Além disso, por alguns dos argumentos utilizados, torna-se claro que a equipa de direcção da Endesa parece não entender que o grupo resultante deixaria de ser uma mera empresa eléctrica, passando a ser um grupo integrado de gás e electricidade, em linha com a tendência consolidada da convergência de gás e electricidade a nível mundial", sublinha ainda.
A Gás Natural questiona assim as novas acções financeiras anunciadas no início desta semana pela Endesa, que considera serem "destinadas a aumentar os dividendos para os accionistas e a remuneração da equipa directiva", tendo sido preparadas apenas como resposta à OPA e, como tal, "tendo escassa credibilidade ou rigor".
Na segunda-feira, a Endesa rejeitou formalmente a OPA (Oferta Pública de Aquisição) lançada pela Gás Natural, numa comunicação ao mercado, considerando que a proposta da companhia de gás tem um preço "claramente insuficiente".
Num comunicado enviado à entidade reguladora do mercado espanhol, a CNMV, a eléctrica espanhola considera ainda que o projecto da Gás Natural "destrói" o valor da Endesa.
A nota, que reitera as posições já assumidas pela empresa desde o lançamento da OPA, a 05 de Setembro, considera que as acções da Gás Natural estão sobrevalorizadas e que são "ilíquidas", acusando directamente a La Caixa (accionista maioritária na Gás Natural) de tentar controlar a Endesa "sem pagar o preço de controlo".
Numa mensagem aos accionistas a Endesa compromete-se ainda a repartir em dividendos a totalidade das mais valias geradas por desinvestimentos, num total de sete mil milhões de euros nos próximos cinco anos.
Recorde-se que a Gas Natural lançou a OPA sobre a totalidade do capital da maior eléctrica de Espanha, a Endesa, por um valor de 22.549 milhões de euros, ou seja, 21,3 euros por acção.
Na nota de hoje, a Gás Natural explica que está a elaborar uma resposta detalhada às afirmações da Endesa, que espera apresentar ao mercado na próxima semana, reservando-se ainda "o direito de iniciar acções legais que considere oportunas".
Ainda assim, a empresa afirma que os cinco mil milhões de euros correspondentes ao dividendo das acções normais (sendo que dois mil milhões são extraordinários) põem em sério risco os investimentos necessários para melhorar o fornecimento de electricidade, "prejudicando em última instância o consumidor".