Gas Natural lança OPA 22,5 mil milhões euros sobre Endesa

A empresa espanhola Gás Natural lançou hoje uma Operação de Aquisição de Acções sobre 100 por cento da maior energética espanhola, a Endesa, por um valor de 22.549 milhões de euros, informou hoje o grupo à Comissão Nacional de Mercado Valores.

Agência LUSA /

A oferta propõe um preço de 21,3 euros por acção, de acordo com dados da empresa gás Natural divulgados hoje em comunicado ao início da noite.

Responsáveis da Endesa tinham afirmado hoje que a confirmar-se a OPA teria "uma natureza hostil", não tendo havido qualquer intenção manifestada à empresa energética pela Gás Natural.

A decisão de avançar com a OPA foi formalizada depois de uma reunião de várias horas da administração da empresa, participada pela petrolífera Repsol e pela entidade financeira La Caixa.

O comunicado da Gás Natural refere que o Conselho de Administração deliberou, por unanimidade, lançar a OPA e remeter a operação às autoridades competentes.

Conforme tinha já sido avançado hoje por fontes do sector, a OPA propõe uma troca de acções e um pagamento em dinheiro, respectivamente de 65,5 e de 34,5 por cento, representando uma valorização de 14,8 por cento para os accionistas da Endesa, no que toca ao preço de encerramento da eléctrica na Bolsa de Madrid na passada sexta-feira.

O preço oferecido pela Gás Natural é de 21,30 euros por acção, cerca de 19,4 por cento acima do preço médio da Endesa na bolsa nos últimos seis meses.

Accionistas da Endesa que aceitem a oferta receberão como contrapartida 7,34 euros em dinheiro e 0,569 acções da nova emissão da Gás Natural SDG por cada acção da empresa energética.

O financiamento para a operação foi coberto mediante um contrato de empréstimo e de aval bancário de 7.806 milhões de euros em que participaram as instituições financeiras Société Générale, UBS Investment Bank e La Caixa, esta última accionista da Gás Natural.

Entretanto, em comunicado, a Iberdrola indica ter assinado hoje um acordo com a Gas Natural para a compra de activos da sociedade resultante da OPA e no caso de este processo ser aceite pelas autoridades competentes.

O compromisso de venda abrange activos de geração e distribuição eléctrica em Espanha, geração eléctrica na Europa (SNE em França e várias centrais em Itália) e algumas áreas de distribuição de gás que incluem 1,25 milhões de clientes em zonas geográficas de Espanha onde a Iberdrola desenvolve a sua actividade, sublinha o comunicado.

A transacção realizar-se-á "a preços de mercado determinados por bancos de reconhecido prestígio", com o volume estimado entre os sete e os nove mil milhões de euros.

"O acordo permite à Gás Natural e à Iberdrola alcançar uma estrutura mais equilibrada nos sectores de gás e electricidade", refere o comunicado, sublinhando que ambas as empresas consideram que a operação "acelerará o processo de reordenação e liberalização do sector" em Espanha e aumentará a "competência efectiva".

Fonte da Iberdrola garantiu à Lusa que a Iberdrola "não faz parte do processo central de OPA", respondendo apenas a um convite da Gás Natural para a compra de activos "que autoridades de competição provavelmente considerarão que devem ser vendidos em caso de sucesso" da OPA.

"A Iberdrola está a acompanhar, à margem, o desenrolar dos acontecimentos. Não é uma OPA em que estejamos envolvidos. Este acordo é apenas complementar", frisou a mesma fonte.

A oferta da Gás Natural está condicionada a que a empresa consiga 75 por cento das acções que configuram o capital social da Endesa.

Está ainda sujeita a que a Junta Geral de Accionistas da eléctrica adopte um acordo de modificação das medidas de blindagem para suprimir "todas as restrições" quanto aos votos necessários para configurar o Conselho de Administração e nomear o administrador delegado.

A concretizar-se a OPA, a nova empresa será a terceira maior empresa privada de serviços energéticos do mundo, com mais de 16 milhões de clientes na Europa e mais de 30 milhões em todo o mundo.

Esta operação surge um ano depois da Comissão Nacional de Energia (CNE) de Espanha ter vetado a oferta hostil da Gás Natural sobre a Iberdrola.

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