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"Golden share" deu tempo para concluir negócio

"Golden share" deu tempo para concluir negócio

Todos os intervenientes na venda da Vivo pela PT à Telefónica e na entrada da operadora portuguesa no capital da brasileira Oi mostram-se satisfeitos com a conclusão do negócio e sublinham a “oportunidade” conseguida. O presidente executivo da PT referiu que o recurso do Governo à golden share permitiu obter tempo para a conclusão da operação.

RTP /
"Saímos reforçados de todo este processo", sustenta Zeinal Bava Lusa

Zeinal Bava defendeu que a operadora nacional sai "reforçada" com o negócio e diz-se satisfeito por, em 30 dias, conseguir criar uma alternativa.

Essencial para a prossecução do negócio terá sido o uso pelo Governo dos direitos especiais para vetar a anterior proposta da Telefónica (de 7,15 mil milhões de euros), apesar da aprovação dos accionistas.

"A intervenção da golden share conseguiu o que precisávamos, que era tempo", explicou Zeinal Bava.

Na conferência da PT para dar detalhes da venda da Vivo à Telefónica, o presidente do conselho de administração, Henrique Granadeiro, confirmou que "sendo o Governo o accionista de referência, é óbvio que houve contactos com o Governo no sentido de lhe dar conta desta (nova) arquitectura gizada no âmbito do conselho de administração e impulsionado pela comissão executiva".

Granadeiro sublinhou que para o negócio se concretizar foi necessário um "trabalho paciente, silencioso e duro", mas que resultou na "maior operação financeira alguma vez realizada em Portugal.



Granadeiro salientou o facto de a decisão ter sido tomada por unanimidade do conselho de administração da PT.

Os contornos do maior negócio feito por uma empresa portuguesa

A Portugal Telecom chegou a acordo com os accionistas da brasileira Oi para comprar 22,38 por cento da empresa de telecomunicações por 3,65 milhões de euros, confirmou a CMVM.

A empresa liderada por Zeinal Bava e Henrique Granadeiro sustenta que esta participação "directa e indirecta" nas empresas do grupo Telemar é garantia de "parceria estratégica".

Para sustentar "uma participação relevante" nas operações Telemar Participações e suas subsidiárias, a PT terá a possibilidade de nomear dois administradores para a detentora da Oi, um dos quais suplente, e dois membros efectivos do conselho de administração Tele Norte Leste (TNL).

Ao mesmo tempo, a PT vendeu a sua participação na Brasilcel, dona de 60 por cento da Vivo, à operadora espanhola por 7,5 mil milhões de euros.

Ficou ainda delineado que as empresas ibéricas encetam, a partir do início de 2011, negociações para uma parceria industrial. Esta parceria incidirá sobre as áreas Investigação e Desenvolvimento, compras, tecnologia e operações, partilha de melhores práticas, benchmarking e desenvolvimento do modelo de negócio das telecomunicações.

"Esta aquisição converterá a Telefónica em líder indiscutível do mercado de telecomunicações do Brasil, um país chave onde a empresa opera desde 1999", refere a empresa espanhola.

Por este motivo, a Telefónica subiu em 350 milhões de euros a proposta a pagar à PT pela Vivo. Em Junho, os accionistas debateram uma proposta de 7,15 mil milhões de euros, tendo o Estado inviabilizado o negócio recorrendo à golden share que detém na operadora portuguesa.

O pagamento dos 7,5 mil milhões de euros será feito em três partes. A primeira tranche, no valor de 4,5 mil milhões, será paga quando a transacção estiver concluída, o que deverá acontecer até 60 dias. A segunda etapa do pagamento, de dois mil milhões, ocorre a 30 de Dezembro e a última fase, de mais dois mil milhões, em 31 de Outubro de 2011.

Brasileira Oi nota que se mantém estrutura de poder
A entrada da Portugal Telecom (PT) no capital da Oi não provocará quaisquer alterações na estrutura de poderes da maior empresa de telecomunicações fixas da América do Sul, "mantendo o controlo da empresa em mãos brasileiras", reagiram os principais accionistas da Oi.

"A Oi permanecerá privada e nacional, sob o controlo dos grupos Andrade Gutierrez e Jereissati, por meio de suas subsidiárias AG Telecom e LF Tel S.A, e da Fundação Atlântico", fizeram questão de escrever os accionistas em comunicado.

Considerada a maior operadora de telecomunicações do país, a Oi tem 60 milhões de clientes e factura 30 por cento de todas as telecomunicações do Brasil. É controlada por um núcleo de sete accionistas brasileiros.

Contudo, a "aliança industrial" dará à Oi "a capacidade de desenvolver um projecto de telecomunicações de projecção global", sublinhou o presidente do grupo Andrade Gutierrez. A PT e a Oi serão parceiros para a banda larga no Brasil. Também a PT refere que a "parceria estratégica" com a Oi visa uma operadora de telecomunicações com capacidade para se afirmar a nível mundial.

Segundo o comunicado dos empresários, o acordo de "parceria estratégica" prevê a capitalização da operadora brasileira até 5,21 mil milhões de euros e "ampliará sua capacidade de investimento e de expansão internacional".

Os termos do negócio prevêem a possibilidade de a holding Telemar Participações, que agrupa as várias subsidiárias do Grupo Oi, comprar uma participação de até 10 por cento do capital da PT.

Telefónica vê compra como "oportunidade única de criação de valor"

O facto de a Vivo ser maior operadora brasileira de comunicações móveis, um "mercado onde a Telefónica mantém uma aposta de futuro", constitui, uma "oportunidade única de criação de valor", comenta o presidente da espanhola Telefónica, que comprou uma participação de 50 por cento da Vivo.

É com adjectivo semelhante, que o presidente da Vivo, classifica a entrada da PT no capital da brasileira Oi. Porque a compra da Vivo pela Telefónica é "uma operação já largamente discutida pelo mercado", Roberto Lima salienta que "o facto novo foi a Portugal Telecom na Oi, o que eu acho que é uma oportunidade para todos, Telefónica, Oi e Portugal Telecom".

Na presidência da operadora brasileira por indicação da PT, Roberto Lima nota que a passagem para as mãos dos espanhóis vai permitir que a Telefónica ofereça novos serviços aos seus utilizadores, como telefonia móvel, fixa, TV a cabo e Internet em alta velocidade.

A Vivo tem 55,97 milhões de utilizadores, que representa 30,24 por cento do mercado, e registou no segundo trimestre do ano um lucro de 102,6 milhões de euros.

Este valor deve-se ao "expressivo crescimento de tráfego" de voz e a "uma base (de utilizadores) cada vez mais activa", explica Roberto Lima.

Acções começam a subir

Após o anúncio do negócio, as acções das operadoras de telecomunicações tanto no Brasil, como em Portugal ou em Espanha, começaram a subir.

Os papéis da Vivo, transaccionados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), cresciam 9,74 por cento, para 46,52 euros, o que não impedia o principal índice, o Ibovespa cair 0,21 por cento.

As acções da Telesp - operador de comunicações fixas da Telefónica no Brasil - ganhavam 1,08 por cento, para 16,30 euros.

Após os comunicados da CMVM, às 13h30, as acções da operadora recomeçaram a ser negociadas a 6 por cento, um valor que foi corrigido em baixa, para 2,81 por cento, no valor de 8,53 euros.

O negócio impulsionou os papéis do BES, um dos maiores accionistas da PT, em 3,56 por cento, para 3,78 euros, enquanto a Sonaecom liderou os ganhos com uma subida de 6,0 por cento para 1,52 euros.

No fecho da praça de Madrid, as acções da Telefónica estavam em alta de 0,712 por cento, para 17,005 euros. As negociações do Ibex 35 fecharam com o índice a deslizar 0,01 por cento.

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