Governador do BOJ impulsiona subida do iene

O Governador do Banco do Japão (BOJ), Kazuo Ueda, deu esta terça-feira um impulso ao iene ao indicar claramente a sua intenção de continuar a aumentar a taxa de juro de referência, se a economia melhorar como esperado.

Lusa /
O Governador do BOJ satisfeito com a evolução da economia nipónica Toru Hanai - Reuters

"Ajustaremos o grau de flexibilização monetária conforme necessário", para garantir que o banco atinja o seu objetivo de preços sustentáveis, se os novos dados derem às autoridades maior confiança de que as expectativas económicas serão cumpridas, afirmou Ueda num discurso proferido numa conferência internacional, organizada pelo BOJ em Tóquio.

Na sequência dos comentários do governador do banco central nipónico, o iene subiu de imediato para 142,28 contra o dólar.

Não obstante as políticas tarifárias de Trump continuarem a perturbar os mercados financeiros globais, os comentários de Ueda indicam que o BOJ continua a encarar como próximo passo outro aumento da taxa de juro de referência este ano, uma medida que as opiniões do mercado também antecipam.

"À luz das crescentes incertezas, em particular as relacionadas com a política comercial, revimos recentemente em baixa as nossas perspetivas económicas e de inflação", afirmou Ueda.

"No entanto, continuamos a esperar que a inflação subjacente se aproxime gradualmente dos 2% ao longo da segunda metade do nosso horizonte de previsão", afirmou, acrescentando que o Japão está agora mais perto do seu objetivo de inflação do que em qualquer outro momento nos últimos três anos.

Dados divulgados na passada sexta-feira mostraram que a inflação no consumidor, excluindo os alimentos frescos, acelerou em abril para 3,5%, mantendo-se dentro ou acima do objetivo do BOJ durante três anos completos. Espera-se, por outro lado, que os números a apresentar esta semana indiquem que a tendência se manterá em maio.

Ueda afirmou que, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos, o Japão está a sofrer um segundo choque de oferta, devido a um aumento da inflação dos produtos alimentares, o que justifica uma atenção especial.

 

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