Governador do Espírito Santo pede que estados brasileiros compensem políticas de Bolsonaro
O Governador do estado brasileiro do Espírito Santo, importante na produção de petróleo e gás no Brasil, defende que as despesas dos estados e dos municípios vão aumentar para compensarem "ausências" do governo de Jair Bolsonaro em áreas "importantes".
"O governador neste caso precisa compensar a ausência do governo (federal) em alguns assuntos", como na educação, área ambiental, direitos humanos e os municípios também, defendeu Renato Casagrande, eleito pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB).
Com isto, as despesas dos Estados "estão aumentando" e devem continuar a crescer para compensar as "ausências" da política de Jair Bolsonaro, o líder de extrema-direita, que ganhou as últimas presidenciais brasileiras, tomando posse a 01 de janeiro deste ano.
"Nós estamos no Brasil com uma agenda que considero positiva na área económica e uma agenda negativa na área política. Porque tem algumas medidas tomadas pelo governo, que mesmo que demorando para serem tomadas, são importantes, como a abertura do mercado de gás por exemplo", afirmou Renato Casagrande numa entrevista à Lusa, em Lisboa.
Apontando algumas medidas encaminhadas ao Congresso Nacional e o ambiente pró reformas, Casagrande considerou que "isso anima a atividade económica".
"Nós temos discordância de alguns temas, quando essas propostas penalizam as pessoas mais pobres, mas reconhecemos que, algumas dessas medidas dão dinamismo à atividade económica. Então a agenda económica, numa parte boa parte dela, e na minha avaliação, está na direção correta", reforçou.
Porém, na sua opinião, o Brasil tem ainda uma instabilidade política "muito forte".
"O estilo do presidente Jair Bolsonaro é um estilo de enfrentamento, de debate". Um "estilo diferente do de outros presidentes. Então isso cria, em alguns momentos, uma instabilidade na relação entre as instituições e cria um debate diário. Pelas declarações, ou por um certo azedume do presidente Bolsonaro ou da sua família", referiu.
E isso "é um assunto que pode criar dificuldades para nosso país, como por exemplo na área ambiental", continuou.
"Alguns posicionamentos políticos de pessoas do governo acabam atingindo a imagem do país fora do Brasil. Isso acaba também atrapalhando, ou isso poderá atrapalhar as relações com alguns países, e com algumas empresas que tenham presença no mundo", sublinhou o governador Renato Casagrande, admitindo que pode afetar investimentos futuros.
Renato Casagrande, que lidera um dos estados mais importantes do Brasil em produção de petróleo e gás natural, tendo sido o primeiro a produzir na camada Pré-Sal, lembra, contudo, que "mundo vive buscando um projeto de vida, mais do que um projeto económico".
"Temos perspetivas boas da economia, mas não só de resultado económico também vive um país, um país precisa também de uma política cultural, de uma política ambiental, de uma cultura de paz", frisou.
O "governo tem que trabalhar para que a tecnologia possa chegar a todas as pessoas, para melhorar a vida das pessoas, que possa chegar a todas as pessoas", porque "não podemos construir uma legião de excluídos", disse, lembrando que "em muitos países do mundo a educação foi instrumento de exclusão" social.
"A base tem que ser educação de qualidade. E depois as políticas ligadas à tecnologia e à inovação.
Para que além de um resultado económico se consiga alcançar no estado do Espírito Santo um resultado que possa melhorar a qualidade de vida dos brasileiros.
Assim, defendeu, há setores como este e outros em que "o governador precisa compensar a ausência do governo em alguns assuntos".
A educação é compartilhada entre a União, os estados e os municípios, referindo a seguir que "a política na área educacional do governo federal não é boa".
"Nós precisamos, nos estados de um cuidar maior, de uma preocupação maior para que a gente não deixe cair o nível da nossa educação", defendeu.
Na área da educação o governo do estado do Espírito Santo fez um pacto com os municípios para que possam juntar esforço no setor.