Governo admite aumento do desemprego de longa duração

O número de inscritos nos centros de emprego caiu 5 por cento em abril, em comparação com igual mês do ano passado, e desceu 1,8 por cento quando em comparação com os números do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) relativos a março. Este foi o quarto mês consecutivo com quedas mensais em relação ao período homólogo. O governo admite que a tendência de subida do desemprego de longa duração é preocupante. A UGT sublinha que não são números reais e a CGTP contrapõe que a taxa de desemprego já chega aos 13,5 por cento.

RTP /

O secretário de Estado do Emprego, que considera “positivos os dados hoje divulgados pelo IEFP, mas nota que o desemprego de longa duração mantém uma tendência de subida.

“O desemprego de longa duração continua a aumentar. Isto significa que temos uma situação em que haverá menos pessoas a perder o emprego no país, embora retornar ao mercado de emprego continue a ser muito difícil”, comentou Valter Lemos, à Antena 1.

Número de inscritos cai 5 por cento em abril
O número de inscritos nos centros de emprego tem descido ao longo dos últimos quatro meses, em termos homólogos. Todas as categorias (género, idade, escolaridade) refletem a queda, em abril, na procura dos centros de emprego.

No final de abril estavam inscritas 541.974 pessoas nos centros de emprego, o que significa uma queda de 5 por cento, quando comparado com os dados de abril de 2011. As inscrições nos centros de emprego já caíram 0,5 por cento em janeiro, um por cento no mês seguinte e 3,5 por cento em março.

Por outro lado, verifica-se a subida das inscrições com mais de um ano em 10,5 por cento, o que permite concluir por um aumento, em igual proporção, do desemprego de longa duração. As inscrições com menos de um ano caíram 14,2 por cento em termos homólogos.

Além disso, o número de colocações promovidas pelos centros de emprego foi menor em 10,1 por cento do que em abril do ano passado. No entanto, as 5.671 colocações conseguidas representam um aumento de 3,9 por cento em relação aos dados de março. Naquele mês também subiu em 1,9 por cento o número das ofertas de emprego recebidas e foi registada uma quebra de 28,5 por cento nas ofertas do ano passado.

CGTP estima que taxa de desemprego já atinge 13,5 por cento
O representante da CGTP contesta que o número de pessoas inscritas nos centros de emprego (542 mil) seja equivalente à taxa de desemprego. “O desemprego real em Portugal, neste momento, ronda os 13,5 por cento”, afirmou Arménio Carlos à Rádio Renascença, acrescentando que são cerca de “778 mil trabalhadores que não têm emprego”.

“Destes, cerca de metade não recebe qualquer subsídio de desemprego, nem sequer o subsídio social de desemprego. Esta é que é a realidade”, disse Arménio Carlos.

UGT desvaloriza números do IEFP

O secretário-geral da UGT considera que os números não têm “grande significado”, uma vez ser “evidente que o desemprego está a aumentar significativamente", declarou João Proença à Lusa.

Os números do IEFP "não mostram o desemprego real, mas o número de desempregados inscritos no centro de desemprego", alertou o representante sindical.

João Proença considera que os dados do IEFP são "afetados” pelo “número de pessoas que entram em programas de formação e o dos empregados temporários", cujos períodos de trabalho "começam agora".

Uma explicação rejeitada pelo secretário de Estado do Emprego, dizendo que “não há mais pessoas em formação neste mês do que no mês passado”.
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