Governo e operadoras assinam hoje acordo para Redes de Nova Geração
Lisboa, 07 Jan (Lusa) - O acordo para a implementação das Redes de Nova Geração vai ser hoje assinado pelo Governo e pelas principais operadoras de telecomunicações, naquele que é o primeiro passo para um investimento superior a 2,5 mil milhões de euros.
Segundo fontes próximas das negociações, o acordo que será assinado pela Portugal Telecom, Vodafone, Sonaecom e Zon Multimédia não faz referência à questão da partilha das redes (que tem sido levantada pelas operadoras alternativas) e aponta como meta levar as Redes de Nova Geração até 1,5 milhões de lares até ao final de 2009.
As Redes de Nova Geração (RNG) são estruturas de fibra óptica que prometem revolucionar o modo de vida das famílias e das empresas, ao permitir elevadas velocidades de navegação na Internet (entre 50 a 100 megabites por segundo, permitindo, por exemplo, descarregar um ficheiro de 1 gigabyte em poucos segundos).
O acordo, que será assinado hoje à tarde na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, com a presença do primeiro-ministro, José Sócrates, prevê ainda que o investimento em áreas remotas ou do interior do país será feito com o apoio de fundos comunitários, de benefícios fiscais e de linhas crédito criadas para o efeito (sendo que, neste casos, as redes terão de ser abertas).
O protocolo está aberto a outras operadoras que queiram investir nestas redes.
As empresas concordaram ainda em voltar a reunir-se com o Governo no prazo de 45 dias, para apresentarem o seu plano de investimentos.
As RNG são consideradas prioritárias pelo Governo, que lhes dedicou um investimento de 50 milhões de euros no pacote de medidas de estímulo da economia que apresentou recentemente, para fazer face à crise mundial.
Para as operadoras, há anos que as RNG são consideradas prioritárias, devido ao seu potencial impacto revolucionário no mercado das telecomunicações.
Além de potenciarem o lançamento de novas funcionalidades e serviços, as redes vão permitir desenvolver tecnologias que já existem no mercado português - como o IPTV, a televisão via protocolo de Internet, de que são exemplos o Meo da PT e o Clix SmarTV da Sonaecom.
No entanto, trata-se de um investimento pesado, da mesma grandeza que os que estão previstos para o novo aeroporto de Lisboa ou para o comboio em alta velocidade (TGV).
Os analistas contactados pela Lusa calculam que será necessário um investimento de entre 2,5 e 3 mil milhões de euros para implementar uma RNG que chegue a todo o território português.
Tendo em conta que o Estado apenas injecta os referidos 50 milhões de euros, o restante investimento terá de ser feito pelas operadoras.
No entanto, com excepção da Portugal Telecom, nenhuma operadora tem músculo financeiro para realizar sozinha um investimento desta natureza.
Por essa razão, a forma como será realizado o investimento nas RNG tem dividido as operadoras de telecomunicações, sendo um tema `quente` do sector pelo menos desde meados de 2007.
De um lado encontra-se a PT, que quer avançar com uma rede própria, exigindo do Governo previsibilidade regulatória e a não-obrigatoriedade de abrir a sua rede às empresas concorrentes, pelo menos nas regiões do país onde não possui uma posição dominante (que são as mais povoadas e desenvolvidas).
Na barricada oposta estão a Sonaecom, a Vodafone e a Oni, que querem a realização de um investimento conjunto na futura RNG, de forma a impedir o surgimento daquilo que consideram ser um novo monopólio da Portugal Telecom.
Quanto à Zon Multimédia, a única empresa que possui uma estrutura capaz de concorrer com as RNG, a prioridade tem sido levar a cabo a actualização tecnológica da rede cabo da Netcabo.
A operadora liderada por Rodrigo Costa lançou recentemente uma oferta de Internet a 100 megabites por segundo, a mesma velocidade que será permitida pelas futuras RNG que vier a ser implementada.
A definição do quadro regulatório para o investimento nas Redes de Nova Geração vai agora ser definido pela Autoridade Nacional das Comunicações (ANACOM).
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