Governo falha previsão do euro e taxa juro em 2006 e quase acerta preço do petróleo
O Governo falhou as previsões que fez para 2006 para as taxas de juro e a cotação do euro face ao dólar e quase acertou no preço do petróleo, que ficou menos de 1 dólar acima do previsto.
O Orçamento do Estado para 2006 assentava na hipótese de um valor médio do petróleo de 65,60 dólares, no conjunto do ano, de uma depreciação de 3,6 por cento do valor do euro contra o dólar norte- americano e de uma taxa de juro média (Euribor a três meses) de 2,4 por cento.
Segundo valores obtidos da base de dados da agência Bloomberg, a Lusa constatou que no conjunto de 2006, o preço do petróleo (`brent` de Londres) registou um valor médio de 66,15 dólares, apenas 0,55 dólares acima da previsão governamental.
Depois de ter atingido máximos históricos a meio do ano, com o brent de Londres a atingir o valor mais elevado de sempre a 7 de Agosto, nos 78,3 dólares, e o crude de Nova Iorque a atingir os 78,40 dólares a 14 de Julho, o petróleo corrigiu em baixa na segunda metade do ano, com uma queda mais significativa nos últimos meses de 2006.
Um afastamento grande da previsão do preço do petróleo significaria que as empresas e famílias teriam de pagar preços mais elevados pelos bens e serviços, o que poderia limitar o consumo e o investimento e, consequentemente, reduzir a receita do Estado.
Entretanto, se corrigirmos o preço do barril de petróleo pela evolução cambial, constatamos que a valorização da moeda única europeia contra a divida norte-americana, ao contrário do que as Finanças esperavam, faz com que, em euros, o preço do petróleo fique áquem do esperado pelo Governo.
No ano passado, o euro valorizou-se 11,46 por cento face à divisa norte-americana, terminando 2006 a valer 1,3189 dólares.
A previsão do Governo apontava para uma descida de 3,6 por cento, pelo que falhou por completo a tendência da moeda e o seu valor.
A subida das taxas de juro na Zona Euro (cinco vezes em 2006) e a expectativa de abrandamento económico nos EUA, combinados com a expectativa de novos aumentos do preço do dinheiro na Europa nos próximos meses, têm estado a penalizar a divida norte-americana.
Com uma moeda mais cara, as exportações perdem competitividade para fora da Zona Euro, limitando o negócio das empresas portuguesas.
Ainda assim, todos os indicadores sugerem que a economia portuguesa deve crescer em 2006 mais do que o previsto inicialmente, a beneficiar de uma retoma maior do que esperado anteriormente dos seus parceiros comerciais e da recuperação forte das exportações.
Numa altura em que grande parte das vendas ao exterior portuguesas é feita para dentro da União Europeia, as empresas portuguesas não parecem estar ainda a ser penalizadas por um euro mais fortalecido.
Quanto às taxas de juro, o governo de José Sócrates antecipava no Orçamento do Estado para 2007 que a Euribor a três meses teria um valor médio de 2,4 por cento no último ano.
Na prática, essa média ficou nos 3,08 por cento, mais 0,68 pontos percentuais do que o esperado, tornando o crédito mais caro, restringindo o consumo das famílias e encarecendo o custo da dívida pública.
As execuções orçamentais conhecidas têm mostrado que o Estado está a gastar bem mais do que o orçamentado com a dívida pública, dado o ritmo acelerado de subida das taxas de juro.