Governo grego considera proposta "inaceitável" e fala em "chantagem"

Um nota do Governo grego afirma que a proposta apresentada pelos credores não pode ser aceite. Pouco antes, Tsipras tinha-se referido a essa proposta como um acto de "chantagem".

RTP /
Yves Herman, Reuters

Embora o primeiro ministro grego, Alexis Tsipras ainda fosse a caminho de Atenas, o seu gabinete não esperou que ele chegasse para publicar uma nota oficiai afirmando, segundo citação da Agência France Press (AFP), que a proposta apresentada pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional "não pode ser aceite", por conter medidas "recessivas" e por oferecer contrapartidas insuficientes.

Segundo a nota, citada pela mesma AFP, "a proposta das instituições (UE, FMI) ao Governo grego era de legislar imediatamente sobre medidas profundamente recessivas (...) como condição para um financiamento a cinco meses, [que é] no entanto completamente insuficiente".

A proposta consistia numa extensão do programa de ajuda, com 12.000 milhões de euros, a pagar em quatro tranches no período de cinco meses, segundo uma fuga de informação ocorrida hoje, sexta feira. Outras fontes referem um programa no valor de 15.500 milhões.

Mesmo nesse caso, o Governo grego considera que os montantes propostas apenas servem para pagar o serviço da dívida grega.

Apesar da ausência física de Tsipras, não é de supor que o seu gabinete tenha exorbitado as respectivas funções. Com efeito, o primeiro ministro grego tinha saído da cimeira da União Europeia a afirmar: "Os princípios fundacionais da União Europeia eram democracia, solidariedade, igualdade e respeito mútuo. Estes princípios não se baseiam em chantagens e ultimatos".

A estas afirmações juntou-se entretanto a tomada de posição do ministro grego das Finanças, Yannis Varoufakis, considerando também que a proposta dos credores é inaceitável.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, sustentou que não fora apresentado à Grécia qualquer ultimato. Mas confirma-se que a proposta apresentada à Grécia é considerada como sujeita apenas a alterações de detalhe, e que se encontra fechada nas suas linhas mestras. Não haverá portanto lugar a qualquer negociação sobre questões de fundo, estando o Governo grego remetido ao dilema de pegar ou largar.
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