Governo insiste em transição para modelo de "incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade"

Governo insiste em transição para modelo de "incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade"

“Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade”.

Carlos Santos Neves - RTP /
João Marques - RTP

A produtividade por hora ficou, no ano passado, em Portugal, aquém da média europeia em 28 por cento, embora o salário médio bruto tenha aumentado 5,6 por cento, acima das estimativas. Dados que levam o Governo, pela voz da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a insistir numa transição de modelo.

Segundo Maria do Rosário Palma Ramalho, citada em comunicado do Ministério, para que o salário médio continue “a ser revisto em alta, de forma sustentável, Portugal deve transitar de um modelo exclusivamente focado em incentivos fiscais para um modelo que concilie incentivos fiscais com ganhos reais de produtividade”.Em 2025, a remuneração bruta total mensal média cresceu para os 1.694 euros, contra 1.604 euros em 2024, de acordo com números divulgados este mês pelo Instituto Nacional de Estatística.

Os salários cifram-se “35 por cento abaixo do mesmo referencial” aplicado à produtividade por hora.

O aumento do salário médio bruto, faz notar o Ministério de Palma Ramalho, superou as metas estabelecidas no Acordo Tripartido sobre Valorização Salarial e Crescimento Económico 2025-2028. Em causa está uma subida de nove décimas relativamente ao objetivo.O Ministério do Trabalho sinaliza que, depois de “um longo período de compressão acelerada da grelha salarial - entre 2015 e 2023 -, o rácio entre salário médio e o mínimo dá os primeiros sinais de estabilização”.

O crescimento dos salários é encabeçado pelo sector privado de bens e serviços transacionáveis, no qual o acréscimo é de 6,3 por cento.

“Este diferencial demonstra que o tecido empresarial, em particular os setores exportadores da economia portuguesa, está a mobilizar os instrumentos criados pelo executivo”, aponta o Governo.

Os números do INE mostram que a remuneração bruta mensal média por trabalhador do sector público foi, no ano passado, de 2.386 euros, refletindo um aumento de 6,3 por cento; no privado, foi de 1.563 euros, numa subida de 5,4 por cento por comparação com 2024.

Em termos reais, a remuneração bruta total mensal média subiu 3,2 por cento em 2025. Evolução que o Ministério do Trabalho associa à sua política de rendimentos.

c/ Lusa
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