Governo sul-africano revê em alta previsão de crescimento do PIB de 2021 para 5,1%
O Governo sul-africano reviu hoje em alta a estimativa de crescimento do PIB para 2021, para 5,1% face aos 3,3% anteriormente previstos, após a queda de 6,4% em 2020 devido à pandemia.
"Na primeira metade de 2021, a economia sul-africana recuperou mais depressa do que o esperado, refletindo restrições de covid-19 menos duras, juntamente com taxas de juro mais baixas, o apoio de uma procura internacional forte e preços mais altos das matérias-primas", anunciou hoje o ministro das Finanças, Enoch Godongwana, no parlamento sul-africano, sediado na Cidade do Cabo.
Godongwana apresentou hoje o que é conhecido como orçamento semestral, uma revisão do quadro orçamental anual que a tutela das Finanças da África do Sul divulgou em fevereiro, no início do ano legislativo, e que originalmente previa um crescimento de 3,3% para este ano.
"Agora esperamos que a economia cresça 5,1% em 2021 depois de uma contração de 6,4% em 2020", afirmou o ministro, que, no entanto, condicionou as previsões à evolução da vacinação contra a covid-19 na África do Sul, que, de momento, avança a bom ritmo, com cerca de um terço da população inoculada.
"Nos próximos três anos, espera-se que o crescimento da economia local alcance uma média de 1,7%, refletindo algumas debilidades estruturais como um abastecimento inadequado de eletricidade", acrescentou.
A crise elétrica que afeta a África do Sul, com constantes apagões rotativos programados em todo o país devido à incapacidade da endividada empresa estatal Eskom de fornecer adequadamente o país, ocupou aliás uma parte importante do discurso de Godongwana.
"A nossa primeira tarefa deve ser assegurar um abastecimento estável de energia, reduzir o risco de `load-shedding` [como se denomina na África do Sul a aplicação de cortes programados de energia para evitar o colapso da rede elétrica] e acelerar a transição para energias renováveis", disse o ministro.
O titular das Finanças referiu ainda a importância de controlar o elevado nível de endividamento estatal e insistiu na redução do défice, que para o exercício 2021/2022 será de 7,8%, com vista a reduzi-lo até 4,9% até 2024/2025.
Godongwana destacou melhorias na arrecadação de impostos este ano e antecipou restruturações para melhorar o desastroso estado de grande parte das empresas públicas (afetadas pela corrupção e a má gestão), que desde 2013 obrigaram o executivo a desembolsar resgates milionários.