Governo timorense ajuda trabalhadores sazonais a investir e gerir dinheiro

Governo timorense ajuda trabalhadores sazonais a investir e gerir dinheiro

A secretaria de Estado da Formação Profissional e Emprego de Timor-Leste organizou hoje um seminário para ajudar trabalhadores, que participam nos programas de mobilidade laboral, a gerir o dinheiro que ganham fora e a fazer investimentos prioritários.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Este seminário serve para orientar os nossos jovens, para aproveitarem as suas capacidades, utilizarem os seus recursos financeiros de acordo com um caminho que seja benéfico", afirmou o secretário de Estado da Formação Profissional e Emprego, Rogério Mendonça.

O número mais recente de trabalhadores sazonais timorenses que regressaram da Austrália, registado por aquela secretaria de Estado, é de 1.891 pessoas.

"Este seminário é de grande ajuda para os regressados. Serve para que os nossos jovens possam contribuir para a resolução de um dos principais problemas do nosso país, que é a taxa de desemprego interna e o atraso no desenvolvimento económico das famílias," disse o governante.

Segundo Rogério Mendonça, muitos trabalhadores acabam por gastar grande parte do dinheiro ganho com cerimónias fúnebres, celebrações e outras necessidades menos prioritárias.

"Por vezes, fazem planos de negócio, mas a cultura prevalece e o dinheiro acaba por ser gasto em outras coisas. Assim, mesmo os melhores planos e os mais bem elaborados acabam por falhar," lamentou Rogério Mendonça.

Mas o timorense Miltiades Maia, de 39 anos, que esteve, em 2019, seis meses a trabalhar na Austrália, é o exemplo contrário. Quando regressou a Timor-Leste, aquele natural do município de Ermera abriu uma cafetaria com a mulher na sua terra natal e já criou emprego para mais pessoas.

"Temos quatro pessoas com emprego permanente na cafetaria, e mais dez na área do catering, para cozinhar para eventos e outras ocasiões," disse à Lusa Miltiades Maia.

Em 2024, segundo dados divulgados pelo diretor-geral daquela secretaria de Estado, Carlitos Cabral, os timorenses a trabalhar na Coreia do Sul e na Austrália, no âmbito de programas de mobilidade laboral, transferiram para o país cerca de 44 milhões de dólares (cerca de 37,6 milhões de euros).

Com uma população superior a 1,3 milhões de pessoas -- uma das mais jovens do mundo -- a taxa de desemprego em Timor-Leste afeta gravemente os cidadãos em idade ativa.

Sem oportunidades de crescimento profissional e melhoria das condições de vida, muitos optam por emigrar de forma permanente ou participar em programas de trabalho sazonal.

O Estado timorense ainda não conseguiu responder eficazmente à criação de emprego, especialmente através do crescimento do setor privado, mas estabeleceu acordos com Austrália, Japão, Coreia do Sul e mais recentemente com a Nova Zelândia para o envio de trabalhadores sazonais.

O seminário nacional de reintegração já foi realizado nos municípios de Lautém, Viqueque, Baucau e Manatuto.

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