Governo timorense quer Banco Mundial focado em infraestruturas e capital humano

| Economia

O apoio do Banco Mundial a Timor-Leste deve centrar-se nos setores de infraestruturas, desenvolvimento de capital humano e diversificação económica, evitando ao máximo opções de "cópia e cola", disse hoje um conselheiro do executivo timorense.

"Com os recursos e conhecimento que tem, as prioridades que o Banco Mundial pode considerar são infraestruturas para produtividade e crescimento, desenvolvimento de capital humano e diversificação económica", disse hoje Helder Lopes, conselheiro do Ministério das Finanças.

Helder Lopes falava no arranque de uma jornada de debates e consultas de preparação do novo quadro de parceria do Banco Mundial para os próximos quatro anos, lideradas pelo diretor para a Indonésia e Timor-Leste, Rodrigo Chaves.

Lopes foi vice-ministro das Finanças no VI Governo e está indigitado como ministro das Finanças do atual Governo, fazendo parte do grupo de membros do executivo nomeados pelo primeiro-ministro, mas a quem o Presidente ainda não deu posse.

Intervindo no encontro em representação do Governo, Lopes defendeu que qualquer programa deve obedecer a três princípios de cooperação: de que a política respeite os objetivos e a vontade de Timor-Leste, de que se recorra a medidas direcionadas para o país e com base em complementar e não concorrência.

No arranque do debate de hoje, Lopes disse que desde a independência até 2016 os parceiros de desenvolvimento, incluindo as Nações Unidas, "gastaram oito mil milhões de dólares em Timor-Leste" e que uma análise do impacto desse gasto sugere "a necessidade de alterar o modelo de cooperação".

Por isso, defendeu, é essencial que os parceiros de desenvolvimento trabalhem em conjunto com as autoridades timorenses, usando o sistema do país e permitindo que sejam os objetivos e prioridades nacionais a conduzir a estratégia.

"Temos que trabalhar na ideia de nos complementarmos e não de competir. Unir os nossos recursos para os mesmos objetivos, para os mesmos programas e para as mesmas pessoas", disse Lopes.

"O Governo não acredita na ideia do tamanho único para todos. O cópia e cola de outro lado não funciona. Precisamos de uma estratégia que é específica para o país", defendeu.

No caso do Banco Mundial, a instituição cumpre os dois primeiros princípios e "mais ou menos 50%" do de evitar o cópia e cola, disse.

Detalhando as prioridades do executivo, Helder Lopes disse que o Governo continuará a dar prioridade a investimentos nas "infraestruturas de crescimento e conectividade" - estradas, portos, água e saneamento e eletricidade -, mas também nas "infraestruturas setoriais", como educação, saúde e turismo, com foco também na sua manutenção.

Aumentar a produtividade do capital humano - melhorando qualidade de serviços sociais e atuando para melhorar a situação da força laboral - e garantir o desenvolvimento inclusivo são igualmente prioridades do executivo.

Na lista de prioridades está ainda a diversificação económica, com uma economia "pouco diversificada e com pouca produtividade", o que exige a "promoção do investimento, especialmente do setor privado".

"Para isto temos de criar um ambiente que atraia investidores", disse.~

Durante as reuniões entre o Banco Mundial e Timor-Leste serão debatidos aspetos como o diagnóstico do país, debatida questão da capacitação humana e da qualidade dos serviços sociais, governação capacidade institucional estão também em debate.

Em causa está a preparação da Marco da Parceira País (CPF, na sua sigla em inglês), o programa de cinco anos, que vigorará entre 2019 e 2024, e que englobará todas as iniciativas do Banco Mundial em Timor-Leste.

No último ano o Banco Mundial esteve entre os dez maiores parceiros de Timor-Leste, com projetos no valor de 10,34 milhões de dólares, segundo o Portal de Transparência da Assistência ao país, do Ministério das Finanças.

O apoio total do Banco Mundial ascende atualmente a 152,62 milhões de dólares, segundo os dados do mesmo portal.

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