Governos devem afastar-se da esfera accionista, Ribeiro da Silva
O ex-secretário de Estado da Energia Nuno Ribeiro da Silva criticou hoje os sucessivos governos por participarem nas escolhas de parceiros estratégicos nas empresas portuguesas do sector da energia.
"Os governos devem participar na esfera da definição do modelo energético para o país, mas não é concebível que ditem quem são os parceiros das empresas ou estejam nas suas escolhas pontuais", disse Ribeiro da Silva no seminário "O Futuro da Energia em Portugal: o que fazer?", que decorre hoje em Lisboa.
Segundo este gestor, "os resultados até aqui obtidos [nesta matéria] são absolutamente desastrosos".
Ribeiro da Silva, que recentemente foi nomeado presidente da Endesa Portugal e representante dos seus interesses no país, disse à agência Lusa à margem do evento que a GalpEnergia e a REN (Rede Eléctrica Nacional) deveriam "estar cotadas em Bolsa".
"A sua admissão contribuiria positivamente, pelo menos, para criar mais volume nas transacções no mercado bolsista", acrescentou.
O gestor e professor universitário, que falou no encontro sobre "Uma visão para a energia em Portugal", realçou que o país, neste momento, "está envolvido num turbilhão", devido ao aumento do preço do barril de petróleo, à dependência energética, ao reposicionamento das empresas e à liberalização dos mercados.
Ribeiro da Silva manifestou também a sua preocupação com o elevado peso das importações de energia em Portugal e defendeu uma maior poupança na área da distribuição e consumo.
Adiantou que a factura energética deverá aumentar este ano cerca de 1,5 mil milhões de euros, para 6 mil milhões de euros, representando 14 por cento do valor total das exportações portuguesas.
"A este valor acresce a factura com o gás natural e o carvão", salientou.
António Castro Guerra, outro dos intervenientes no seminário, realçou o facto de na Europa se estar a assistir à criação de vários mercados regionais de energia.
O administrador da EDP - Energias de Portugal realçou também que em Espanha se verifica um processo de liberalização do mercado da energia, mas, em simultâneo, a nível regional assiste-se a uma processo de concentração.
A energia eólica, nuclear e o enquadramento do sector energético e as perspectivas para o futuro foram alguns dos temas debatidos neste seminário, que contou com cerca de 400 participantes.