Greve nos correios contra aumento de horário de trabalho deixa milhões de cartas por distribuir
Berlim, 01 Abr (Lusa) - Milhões de cartas ficaram hoje por distribuir na Alemanha devido a uma greve dos correios contra o aumento do horário de trabalho semanal de 38,5 para 41 horas semanais para 55 mil funcionários públicos da empresa.
Na greve de aviso participaram cerca de cinco mil carteiros e outros empregados da Deutsche Post de 14 cidades, como Berlim, Colónia, Munique, Hannover e Estugarda, por exemplo.
Segundo o respectivo sindicato, o ver.di, ficaram assim hoje por distribuir perto de seis milhões de cartas e 150 mil encomendas postais em vários pontos do país.
As greve de aviso na Alemanha são normalmente convocadas pelos sindicatos no período de negociações com a direcção da empresa).
O ver.di justificou também o recurso a esta forma de luta com o receio de que a Deutsche Post aumente o horário de trabalho dos seus 130 mil funcionários sem estatuto de funcionários públicos, procedendo em seguida a despedimentos.
Para prevenir esta situação, o ver.di exige que a Deutsche Post prorrogue até 30 de Junho de 2011 a garantia dos postos de trabalho, que caducou na segunda-feira.
A empresa apresentou já uma contra-proposta de dilatar o referido prazo até fim de Junho de 2008 e de não exigir, "por enquanto", a entrada em vigor do novo horário de trabalho para os seus funcionários públicos
A actual luta dos funcionários dos correios não está ainda relacionada com as negociações salariais a iniciar ainda este ano.
O sindicato anunciou, entretanto, que as greves prosseguirão nos próximos dias com incidência nas regiões, depois de os carteiros terem parado hoje nas grandes metrópoles.
Um porta-voz do ver.di não avançou, no entanto, quaisquer detalhes, alegando não querer dar tempo à Deutcsche Post para adoptar contra-medidas.
Por sua vez, um responsável da administração da empresa disse hoje a jornalistas em Bona que as greves "não têm fundamento", garantindo que Deutsche Post está disposta a negociar e a encontrar uma solução para o conflito laboral.
A próxima ronda de negociações entre o ver.di e a administração da empresa estão marcadas para nove de Abril.