Greves obrigaram CP a cancelar quase 20 mil comboios em 2011, empresa perdeu 8 ME
Lisboa, 07 jun (Lusa) - As greves dos trabalhadores da CP realizadas em 2011 levaram à supressão de quase 20 mil comboios e tiveram como consequência uma perda de receita de cerca de oito milhões de euros, segundo o relatório e contas da empresa ferroviária.
O ano de "2011 foi muito penalizado pelas greves, que ocorreram maioritariamente nos meses de fevereiro, março, novembro e dezembro", lê-se no relatório e contas da CP - Comboios de Portugal, a que a agência Lusa teve acesso.
No ano passado, a CP enfrentou 12 dias de greve total (contra seis dias registados em 2010) e 83 dias de greves parciais (em comparação com os nove dias registados em 2010).
As paralisações dos trabalhadores da empresa ferroviária tiveram como consequência a supressão de 19.904 comboios, a maioria no serviço suburbano de Lisboa.
"As maiores taxas de supressão verificaram-se, contudo, nos serviços de longo curso e regional", de acordo com o documento.
A CP avança que as greves ocorridas em 2011 "tiveram um impacto direto muito significativo, estimando-se a perda de cerca de dois milhões de passageiros, apenas por via de bilhetes não vendidos".
No que respeita à receita, a empresa estima uma perda "de cerca de oito milhões de euros" devido às greves, "sendo o valor mais significativo registado no serviço de longo curso".
A CP enfrenta este mês um novo conjunto de greves.
O Sindicato Nacional de Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses (SMAQ) apresentou um pré-aviso de greve ao trabalho extraordinário e aos feriados até ao final deste mês, não tendo sido definidos serviços mínimos para o transporte de passageiros.
O Sindicato Ferroviário da Revisão Comercial e Itinerante (SFRCI), que representa os revisores e trabalhadores das bilheteiras da CP, também avançou para greve "a todos os feriados, nacionais e municipais, e ao trabalho extraordinário, a partir" de hoje e por tempo indeterminado.
Assim, a CP prevê que hoje e no dia 10 de junho não circulem comboios devido às greves.
A 13 de junho, a greve deverá ter impacto nos serviços urbanos de Lisboa e nas linhas de Sintra, Cascais e Azambuja, também "com a possível supressão da totalidade dos comboios", segundo a empresa.
Nos comboios de longo curso poderá registar-se a supressão de cerca de metade das circulações a nível nacional, enquanto no serviço regional poderão "ocorrer alguns impactos".
A 24 de junho, serão afetados os serviços urbanos do Porto, onde poderão ser cancelados quase todos os comboios.
Nos serviços de longo curso poderão ser suprimidas cerca de 20 por cento das circulações, enquanto no serviço regional, a CP prevê particular impacto nas Linhas do Minho e do Douro, onde poderá nem existir circulação de comboios.
Por fim, a 28 de junho, estão previstas perturbações nos serviços urbanos de Lisboa da linha do Sado, podendo não circular comboios.
A CP fechou um ano de 2011 com um prejuízo de 289 milhões de euros, um agravamento face ao resultado líquido negativo de de 201 milhões de euros registado no ano anterior, de acordo com o relatório e contas da empresa.