Grupo Barraqueiro na corrida à gestão privada das operações que surjam no setor dos transportes
Lisboa, 13 nov (Lusa) -- O Grupo Barraqueiro está interessado nas concessões do setor dos transportes públicos que o Governo venha a entregar aos privados, disse à Lusa o presidente da empresa que se dedica ao transporte rodoviário de passageiros e mercadorias.
"Consciente do seu vasto `know-how` [conhecimento], o Grupo Barraqueiro anseia desempenhar um papel cada vez mais ativo e decisivo no esforço de transformação e otimização do transporte público de passageiros em Portugal. Neste sentido, está necessariamente disponível para todas as operações de gestão privada que venham a surgir", afirmou Humberto Pedrosa, em resposta escrita a um conjunto de questões colocadas pela Lusa.
O Governo já anunciou a intenção de privatizar a CP Carga, concessionar as linhas suburbanas da CP - Comboios de Portugal e nas Grandes Opções do Plano 2012-2015 afirma que vai avaliar a "eventual concessão das carreiras e linhas da Carris, STCP [Sociedade de Transportes Colectivos do Porto] e Metro de Lisboa".
Para justificar o seu interesse nestas operações, o presidente da Barraqueiro salientou os resultados produzidos pelos modelos de gestão aplicados em empresas do grupo, como a Fertagus, concessionária do comboio da Ponte 25 de Abril.
Humberto Pedrosa destacou o facto de a Fertagus ser uma "empresa totalmente privada que vai assegurar um serviço público de transporte sem necessidade de recurso a financiamento estatal e que, até 2019, terá disponibilizado ao Estado 20 milhões de euros pela concessão, tendo já repartido lucros com o concedente nos últimos três anos".
O presidente do Grupo Barraqueiro defende que a reforma estratégica do setor do transporte de passageiros passa "obrigatoriamente pela concessão a privados dos serviços de transporte hoje geridos por entidades públicas, independentemente da forma ou da dimensão das concessões".
Para Humberto Pedrosa, "apenas a gestão privada tem capacidade para inverter a situação calamitosa" das empresas públicas de transportes.
Quanto às fusões de empresas públicas de transportes, que constam do Plano Estratégico de Transportes (PET), o responsável afirma não ser a solução "mais eficaz".
Isto porque, argumentou, "corre-se o risco de serem criadas empresas demasiado grandes, com estruturas pesadíssimas, nas quais se torna ainda mais difícil assegurar uma gestão sustentável".
"Podemos estar a assistir ao nascimento de `elefantes brancos`, potencialmente ingeríveis", acrescentou.
Neste contexto, o presidente da Barraqueiro defende que as empresas a concessionar seja segmentadas por zonas operacionais, considerando que, deste modo, "o Estado tem muito mais possibilidades de fiscalizar eficazmente o serviço dos vários operadores e os clientes ficam melhor servidos porque existe mais concorrência".
O Grupo Barraqueiro obteve um resultado líquido de 16,2 milhões de euros em 2010, mais 18,6 por cento em relação ao ano anterior.
Criada no final de 1992, a Barraqueiro SGPS tem sede em Olival Basto, Loures.
O grupo é constituído por várias empresas que se dedicam ao transporte público de passageiros (rodoviário e ferroviário), de automóveis, internacional rodoviário de mercadorias (através da empresa Rodo Cargo), fracionado de mercadorias e de distribuição porta a porta (através da empresa Trans porta), especiais de combustíveis, matérias perigosas e outros produtos (através das empresas Atlantic Cargo e Pacific Cargo).