Grupo de cidadãos pede ao presidente da República para se fazer ouvir sobre violência policial

Grupo de cidadãos pede ao presidente da República para se fazer ouvir sobre violência policial

Cerca de vinte cidadãos portugueses, como Helena Roseta, Tiago Rodrigues e Pedro Abrunhosa, pediram hoje a intervenção do Presidente da República face à "repressão policial infundamentada, desnecessária e desproporcional" da última madrugada.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"O seu silêncio neste momento, Exmo. Sr. Presidente da República, não acalma a violência. Só a sua palavra pode repor a tranquilidade pública e a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos. Rogamos-lhes: faça-se ouvir", apelam os subscritores de uma carta aberta divulgada hoje.

A carta é assinada por 23 personalidades da sociedade civil, cultura, política e educação, como a `rapper` Capicua, o encenador Tiago Rodrigues, o músico Pedro Abrunhosa, a professora universitária Helena Freitas, a arquiteta e ex-deputada Helena Roseta, a presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, a economista Susana Peralta e o advogado Ricardo Sá Fernandes.

"Os portugueses estão a assistir a uma escalada de violência nas ruas das nossas cidades, provocada não por manifestantes, que se têm mantido pacíficos, mas por uma polícia agressiva", afirmam os subscritores.

Críticos em relação à atuação da PSP, que, na última madrugada, dispersou as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, à bastonada e com recurso a cães, os cidadãos consideram que "a repressão policial infundamentada, desnecessária e desproporcional gera um alarme justificado junto dos portugueses e coloca em causa direitos fundamentais".

"Torna-se urgente e inadiável ouvir a voz do Presidente da República", sublinham na carta, que foi remetida hoje à Casa Civil da Presidência da República.

As recentes manifestações visam exigir a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.

Segundo a PSP, nas manifestações desta madrugada registaram-se, no total, 33 feridos, 27 em Lisboa e seis no Porto, e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto). Em comunicado, a Acampada de Lisboa refere dezenas de feridos, 37 dos quais no Porto.

Após esta carga policial, foram marcadas novas manifestações em Lisboa e no Porto, iniciadas durante a tarde de hoje.

Também em resposta à violência policial, a plataforma Casa para Viver convocou um protesto, para terça-feira, na Assembleia da República, em Lisboa.

Lusa

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